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Novo viaduto divide opiniões dos moradores do entorno

Quem vive ou trabalha nas proximidades do trecho em que será realizada a obra repercute a novidade entre comemorações e preocupações

por Ana Beatriz Garcia

03/11/2019 - 06h00

Fotos:Tainá Vétere

Ivanir de Cailes mora na quadra 10 da avenida há 50 anos

Entre comerciantes e moradores do entorno da avenida Cruzeiro Sul, as dúvidas são muitas em relação ao novo viaduto. E como em toda grande mudança, há quem esteja comemorando pelo novo dispositivo viário e também tem quem reúna muitas preocupações em relação às alterações na via.

Os moradores que conversaram com a reportagem, unanimemente, são favoráveis às alterações, mesmo com os transtornos que uma obra deste porte pode trazer para a região. "Acho que é um período e teremos que aguentar para termos resultados", afirma Ivanir de Cailes, de 71 anos, que mora há 50 anos na quadra 10 da avenida Cruzeiro do Sul. "Aqui era de paralelepípedo quando cheguei. Vi muita coisa mudar, vi o movimento aumentar muito e a rodovia chegar. Agora é uma nova fase", aponta.

Quem também está há muitos anos na região é Fátima Leandro, de 66 anos, que mora a mais de 60 na rua Amazonas, próxima ao ponto da Cruzeiro onde será construído o viaduto. "Fico pensando nas propriedades que serão desapropriadas. Acho que não chega até o ponto de onde eu moro, mas é uma situação complicada. De qualquer forma, esse viaduto já era para ter sido feito. Então, que façam", diz.

MOVIMENTO

Já o morador da quadra 9, João Batista Cavalcanti, de 62 anos, espera que com o novo viaduto, o trânsito fique mais organizado e diminuam os acidentes. "O movimento aqui é bem estressante, os carros passam muito rápido, já tiveram muitos acidentes. Acho que o viaduto vai desafogar o fluxo da cidade, que não teve um plano diretor quando foi projetada", comenta. "Eu vou bastante para o Gasparini e para o Parque Santa Ediwiges. Então, pego a saída direto para a Rondon. Quando não estou indo para esses locais a volta é maior, agora com o viaduto ficará mais fácil", comemora.

Concorda com ele Nelci Bonifácio, de 77 anos, moradora do outro lado da avenida, na quadra 4 da Cruzeiro. "Aqui é muito movimentada e tem muito barulho, passam muitos carros, caminhões e motos barulhentas, a gente não pode assistir televisão de porta aberta porque não escuta. Com o viaduto, seria bom para a gente não dar muita volta e é uma reivindicação antiga. Mas sei que o movimento pode aumentar mais ainda", comenta.

PREOCUPAÇÃO

Entre os comerciantes, a preocupação é com a acessibilidade dos clientes ao local durante o período de obras, além da possível desapropriação. "Pra gente já estão sendo um transtorno as obras na Rondon, já vem mudando a nossa rotina. Os clientes não conseguem chegar aqui como antes", afirma Angelo Pedroso Filho, 61 anos, proprietário de um centro automotivo que está há três anos na quadra 5 da avenida Cruzeiro do Sul.

Ele espera que com a construção do viaduto haja um fluxo melhor de carros na região. "Isso vai ajudar porque muitas pessoas ficam perdidas ou dão voltas muito grandes para passar de um lado para o outro. Mas quando começar a obra mesmo, teremos complicações por aqui. Os clientes possivelmente não vão conseguir chegar", afirma.

'COMO SERÁ?'

Quem questiona é Luis Gustavo Corradini, 48 anos, gerente da loja de material de construção a seco na quadra 7 da avenida Cruzeiro do Sul há menos de um ano. "Nós não esperávamos que isso fosse sair do papel. Fico pensando: como será?. Nossa empresa tem 14 lojas, com matriz em Ponta Grossa. Um dos motivos para virmos para cá, nesse ponto exatamente, é por recebermos os nossos materiais todos por carretas que chegam da rodovia. A proximidade com a Rondon sempre foi muito positiva, mas agora nós temos essa preocupação de ficará o nosso negócio", finaliza. 

Por enquanto, ainda não há um projeto executivo. No entanto, alguns detalhes sobre como a obra será implementada foram divulgados nesta semana. Ainda não se sabe a metragem exata do início da elevação que tomará trecho da avenida, mas ela poderá começar no final da quadra 8 e declinar no início da quadra 5. Além disso, são planejadas duas alças de acesso ao lado esquerdo (no sentido bairro-Centro) e uma rua no nível atual da via ao lado direito que desembocará na rodovia Marechal Rondon.

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