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Sistema de cotas aumenta concorrência no CTI

Disputa que já era acirrada para o ingresso no Ensino Médio Técnico aumentou em nível e número de candidatos

por Marcele Tonelli

24/11/2019 - 06h00

Fotos: Malavolta

Localizado no Núcleo Geisel, o Colégio Técnico Industrial (CTI) é referência de ensino público no Estado

Esforço

Malavolta

Aluna do 1.º ano do curso técnico noturno de Informática, Kemelly Rafaelly Heleno, moradora do José Regino, quer aprender uma profissão no CTI para trabalhar e ajudar a pagar sua faculdade de medicina, futuramente

O CTI oferece os cursos técnicos em dois turnos nas áreas de Informática, Eletrônica e Mecânica. São 610 alunos ao todo, e destes, 413 são do Ensino Médio Técnico, cursado durante a manhã e tarde e que é mais concorrido. Na Informática, a relação candidato/vaga para esta modalidade varia entre 11 e 15; na Mecânica, entre 9 e 12, e na Eletrônica, entre 9 e 11. Nessas, porém, não há mais do que 7 alunos oriundos de escolas públicas, índice que a instituição se esforça para ampliar. "Concedemos bonificação de 15% na nota do Vestibulinho para os alunos oriundos da rede pública. Também oferecemos 4 isenções da taxa de inscrição para cada escola pública, além de um cursinho gratuito em parceria com a Unesp", observa Dalastti.

Já os cursos técnicos noturnos, que não contam com o Ensino Médio e possuem concorrência não superior a 2 candidatos por vaga, são mais frequentados por egressos da rede pública.

Alunas da unidade, Kemily e Maria Gabriela expressam as duas realidades citadas.

Estrutura diferenciada

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Com "Q" de universidade, o CTI não tem sinal para intervalos e saídas, o controle é feito pelos próprios alunos e professores; vandalismo é algo que não faz parte da realidade do colégio público

Em cinco anos, o número de candidatos ao Vestibulinho do Colégio Técnico Industrial (CTI) de Bauru cresceu 20%, de 1,5 mil para 1,8 mil alunos. Referência de ensino público no Estado, a unidade localizada no Núcleo Geisel também detectou que o nível intelectual de candidatos, principalmente ao seu Ensino Médio, deu um salto, puxado especialmente pelo sistema de cotas, que tem sido ampliado pelas universidades públicas.

A possibilidade de estudar em uma boa escola do Estado e que garanta o direito em se enquadrar como cotista, futuramente, tem levado centenas de alunos da cidade e região a frequentarem cursinhos como pré-requisito ao Vestibulinho (leia mais na próxima página).

80% DE APROVAÇÃO

O CTI diz que seu nível de aprovação em universidades públicas chega a 80%, mesmo que suas aulas não tenham como foco vestibulares. O resultado é percebido por instituições de ensino na cidade, que já centram trabalhos para a aprovação de alunos no CTI.

O fenômeno é confirmado pelo diretor do CTI, André Luiz Dalastti, e pela coordenadora de Ensino Médio Daniela Roda.

"Temos observado isso com mais força nos últimos 5 anos. Há, pelo menos, quatro cursinhos voltados para o CTI. A demanda cresceu e abriu mais a concorrência", cita Dalastti. "Era algo que antes víamos mais para a graduação de universidades públicas", completa o diretor.

ENEM

Daniela lembra que o rankeamento do colégio, que sempre obtém boas posições no Enem, também ajudou no resultado. Em 2018, o CTI se classificou como a 1.ª entre as escolas públicas e particulares de Bauru no Enem, e como a 35.ª na comparação estadual.

"O aluno da escola particular também quer ter direito ao ensino público de qualidade e à cota", avalia Daniela, analisando como atrativo o último vestibular da Unesp, que chegou a reservar até 50% das vagas para cotistas (negros, índios, alunos oriundos de escola pública etc).

Oriunda da zona Sul de Bauru, a parcela maior de alunos do CTI, atualmente, busca a formação para fins acadêmicos. As áreas profissionais preferidas por egressos de lá são as engenharias, medicina, ciência da computação e direito. 

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