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'Ação melhorou relação entre alunos e funcionários'

Afirmação é do diretor da E.E. Ayrton Busch, que sugere que o projeto seja replicado em outras escolas

por Marcele Tonelli

15/12/2019 - 06h00

Samantha Ciuffa

Aldo José Martins, diretor da Ayrton Busch, Juliana Dornelas, vice-diretora, e a professora Eliane Mussi

"A ação que deveria ser multiplicada para outras escolas." É assim que o diretor da Ayrton Busch, Aldo José Martins, caracteriza a iniciativa da professora Elaine Mussi. Ele diz que a ação melhorou a relação entre alunos e funcionários e coroou uma política que a escola vinha adotando, que buscava mais afetividade e o reforço do pertencimento dos estudantes ao espaço.

Nos últimos anos, a Ayrton Busch perdeu grades e ganhou cores e jardins. O sinal sonoro entre as aulas também foi desativado, como forma de estabelecer regras de convivência menos rígidas, porém mais respeitosas.

"A relação interpessoal entre alunos, boneco e professor melhorou a escola como um todo. Sabemos que, às vezes, o professor é a única pessoa que vai conversar com aquele estudante naquele dia todo", cita Aldo. "Os alunos têm voltado no contraturno para ficar na escola, ajudar em algo. A gente anda pelo pátio e é abraçado por eles. São anos de construção de uma relação que o projeto coroou", confirma o diretor.

MAIS EMPATIA

Vice-diretora, Juliana Dornelas, que também é mediadora na escola, reforça o projeto como um caminho assertivo. "O boneco traz, de alguma forma, uma carga emocional tão grande depositada pelos alunos que, só de abraçá-lo, já nos sentimos bem", opina.

Juliana é o braço direito de Elaine na ação. "Eu nem tinha rede social, agora não saio do celular. Fico observando o grupo do Coração no Facebook para ver se identifico algum pedido de ajuda", afirma.

Mas claro que nem tudo são flores e a iniciativa também ganhou críticas. Situação que a direção tenta contornar, afinal nem todos possuem habilidades ou desejam participar.

Coração expande atividade nas redes e ganha companheira

Facebook/Reprodução

Página do Coração no Facebook já tem quase 1 mil curtidas

O boneco estreitou tanto a relação com os alunos da Ayrton Busch que as queixas chegam não mais só pela mochilinha, mas também por mensagens diretas na página criada no Facebook.

Com o novo canal, alunos até da E.E. Plínio Ferraz já teriam procurado a ajuda do Coração. As mensagens também são respondidas pela professora Elaine com ajuda de Juliana.

A página conta com quase 1 mil curtidas. Popular, Coração é vestido em eventos temáticos da escola e tem sido levado até em viagens pela professora e alunos. Como forma de substituí-lo em algumas ocasiões, a boneca Nina também criada pela professora, estará por lá ajudar na missão em 2020.

Facebook: ProjetoCoracaoElaineMussi

'Devemos passar ouro nas cicatrizes'

Facebook/Reprodução

Elaine Mussi não é psicóloga, é apenas uma professora com a vontade de melhorar a vida de seus alunos

"Digo sempre aos alunos que devemos passar ouro em nossas cicatrizes, temos que nos orgulhar das batalhas, porque as coisas ruins nos tornam mais fortes", enfatiza Elaine Mussi. O projeto Coração se assemelha à técnica da ludoterapia, na qual o brincar vira meio de autoexpressão e a criança se projeta em desenhos e brinquedos. Mas Elaine não é psicóloga, é apenas uma profissional que usa seu conhecimento na área de gestão de pessoas e educação e a vontade de melhorar a vida de seus alunos para levar o projeto.

"Aconteceu de repente. Eu penso na minha infância e isso me incentiva. Quero que meus alunos tenham orgulho da história deles", cita. "Eu era filha de pai alcoólatra e tinha cinco irmãos. Tive uma infância pobre e dolorida, passei fome, comecei a trabalhar aos 9 anos, pegava latinha na rua para ter o que comer. Sei o quanto isso pesava, mas meus professores da E.E. Vera Campagnani me incentivaram a não desistir de estudar", conta Elaine. "Quero retribuir. Não foi à toa que escolhi a Ayrton Busch, é uma escola especial, com um passado complicado e que vem se transformando."

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