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Comissão de Cidadania: exemplo

Formada em edifício na Vila Universitária, Comissão de Cidadania dá exemplo na separação dos rejeitos e tornou-se ponto de coleta seletiva

por Ana Beatriz Garcia

19/01/2020 - 06h00

Fotos: Vinicius Bomfim

Todos os ambientes do prédio contam com latões para resíduos orgânicos e recicláveis

Você já deve ter ouvido sobre a fábula do passarinho que tentava, com seu bico, carregar água para apagar um incêndio em mata. Apesar de curta, a mensagem do animalzinho é bastante difundida: se cada um fizer a sua parte, por menor que seja, as chamas poderão ser contidas.

Em um condomínio de Bauru, o Ebel, na Vila Universitária, o ensinamento deste passarinho ecoa e se concretiza em prática diária. Por lá, desde 2013, os condôminos vêm observando os resultados de um trabalho em grupo e tornaram-se exemplo na separação mais responsável e consciente de resíduos sólidos e recicláveis.

Mas tudo começou mesmo lá pelos anos 2000, com a ideia de uma moradora que gostaria de replicar o que havia visto em São Paulo, uma prática proposta pela então prefeita Luiza Erundina. "Eles distribuíam cartilhas explicando sobre a separação correta do lixo e davam sacos plásticos azuis, para diferenciar. Chegando em Bauru, descobri que isso também acontecia na cidade, mas pensei em algo mais eficaz para o local onde morava", afirma a psicóloga Maria Orlene Daré, 70 anos.

Depois de um tempo sem uma forma oficial, uma comissão de Cidadania foi criada em assembleia para cuidar do assunto e orientar os moradores sobre a forma correta para o descarte do lixo. "Em 2005, tínhamos dois tambores (orgânico e reciclável) que ficavam na escada de cada andar. Isso foi proibido pelo Corpo de Bombeiros. Anos depois, criamos a comissão e começamos os trabalhos de conscientização, que vêm sendo realizados até hoje", explica outro membro da comissão, Yara Millian, 70 anos.

NA PRÁTICA

Foi a partir desses trabalhos que os resultados foram se consolidando no prédio. "No início, o pessoal da limpeza tirava 30 sacos de lixos cheios só de resíduos orgânicos. Hoje, nossa média continua de 30 sacos, mas sendo apenas oito orgânicos e nem tão grandes. O restante são sacos de materiais recicláveis", afirma Ismênia Eichenberger, 64 anos, que completa a comissão. "Hoje, somos ponto de coleta seletiva por conta da quantidade de resíduos recicláveis que são separados aqui", completa.

Maria Orlene, Yara e Ismênia se dividem em suas funções para passar pelos 58 apartamentos do edifício com orientações e a distribuição dos informativos sobre o descarte correto do lixo. "Todos os anos, nós atualizamos o material que a gente distribui. Batemos de porta em porta, mostrando para o morador ou para o funcionário do apartamento a importância de se separar os materiais recicláveis corretamente. Exemplo que se estende às crianças do prédio, que desde cedo já sabem como cuidar do próprio lixo", diz Ismênia. 

"O que norteia o projeto é o exercício da cidadania através de ações que levem à proteção da natureza e do ambiente. Em todos os panfletos, tentamos passar a mensagem de responsabilidade de cada um sobre o lixo que se produz", finaliza Maria Orlene.

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