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Exemplo que vai sendo multiplicado

A Comissão de Cidadania do edifício na Vila Universitária ainda conta com parcerias para difundir o modelo de trabalho para demais condomínios

por Ana Beatriz Garcia

19/01/2020 - 06h00

Vinicius Bomfim

No condomínio, o espaço conta com seis latões para recicláveis e três para orgânicos, além de local próprio para descarte de pilhas, vidros e óleo

O residencial Ebel, na Vila Universitária, chamou a atenção e tornou-se modelo para outros condomínios da cidade. Funcionária da Emdurb na época da criação do Plano Municipal de Resíduos, Karen Cesariano, 47 anos, foi motivada a iniciar projetos de orientação em relação aos resíduos em residenciais da cidade.

"O plano municipal mostrou que 27,5% do lixo da cidade eram recicláveis e mais de 20% eram materiais não recicláveis, mas reaproveitáveis. Pensei que se essa boa parte de recicláveis está acumulada em condomínios, seria mais rápido diminuir o lixo da cidade fazendo um trabalho de prédio em prédio", conta Karen.

Um dos primeiros em que ela esteve foi, justamente, no Ebel, onde já havia o projeto da Comissão de Cidadania. "Então, através da Emdurb, ajudei a comissão com materiais e informações, mas elas caminharam praticamente sozinhas. O projeto já era bastante evoluído e continua sendo excepcional."

Karen também foi responsável por desenvolver a Lei dos Condomínios, que foi aprovada em novembro de 2016. "No ano passado, foi fundada a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam) e eu retomei esse trabalho nos condomínios. É muito resíduo dentro deles que não são reciclados. É dinheiro e é emprego que só dependem da separação correta do lixo", diz Karen.

FACILIDADE

A síndica do residencial, Karla Madiruiz, 57 anos conta que os espaços no prédio foram remodelados para facilitar a prática correta. "Nós temos uma sala reservada, com depósito para óleo, pilhas, vidro e demais rejeitos. Ao lado, há um lavabo para que os moradores e os funcionários possam se higienizar", salienta.

Nesta sala de descarte - que é bastante limpa e organizada -, existem seis latões para resíduos recicláveis e três para rejeitos orgânicos. A funcionária do residencial Vergindrina Aparecida Lopes, 44 anos, diz que o formato facilita o seu trabalho diário. "Isso faz com que a gente não se machuque ao manusear o lixo. Ajuda também a separar com mais facilidade. A maioria colabora muito, mas mesmo quando esquecem uma coisa ou outra, a gente faz a separação. Esses dias, começamos a tirar as tampinhas de plástico para dar para uma ONG que reverterá em ração para animais", diz.

CASO DE SUCESSO

Ainda que bastante avançados, a síndica conta que se trata de uma luta diária com os antigos e novos moradores do prédio, mas que é possível implantar o modelo em qualquer condomínio. "No começo, quando tiramos os latões dos andares, ainda muitos moradores deixavam nas escadas, relutavam em fazer o descarte correto do lixo. Então, começamos a dar advertências e em casos de reincidência, multa", afirma. "Até hoje, temos câmeras na sala de depósito de lixo, que nos auxiliam a ver quando alguém faz o descarte incorreto. Recentemente, inclusive, uma pessoa quebrou uma jarra e não depositou de maneira adequada os cacos no latão de vidro. Tivemos que intervir", completa.

No intuito de passar a diante o bom exemplo, em outubro de 2019, foi realizada uma reunião entre a equipe da Ascam com a comissão do residencial Ebel e demais interessados. "Recebemos representantes de cerca de dez condomínios da cidade para falar sobre como fazemos nosso trabalho e estamos dispostas a ajudar e orientar quem se interessar pela implementação desse modelo", finaliza Maria Orlene Daré.

OAB também atua com condomínios

A Comissão de Cidadania e Ação Social da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também atua com demandas que podem auxiliar residenciais. "Atendemos a demanda de associações de moradores e de condomínios que nos procuram para orientar sobre práticas de cidadania, na coleta seletiva do lixo e como se relacionar melhor com os condôminos", explica a presidente da Comissão, Marizabel Moreno Ghirardello.

Segundo ela, a comissão faz orientações jurídicas a respeito dos condomínios, sobre preservação da natureza e outras questões sociais que atingem a coletividade de uma forma geral. "Desde 2018, estamos nos envolvendo mais com a comunidade. Ainda temos representantes da Sebes e da secretaria de Saúde que participam conosco, em nossas ações, por sermos uma comissão coletiva", diz.

Para receber orientações da Comissão de Cidadania da OAB, basta entrar em contato pelo telefone (14) 3227-3636 ou na sede da Ordem, na avenida Nações Unidas, 30-30.

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