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Bairros

Onze histórias de superação e esperança

"Quando momentos difíceis são motivos para recomeçar" é o subtítulo da coletânea que abarca histórias de perdas e lutas

por Ana Beatriz Garcia

16/02/2020 - 06h00

Aceituno Jr

Salete Maria Felipe Scarelli fala um pouco da história que o livro conta

"Quando momentos difíceis são motivos para recomeçar". Este é o subtítulo da coletânea "Nossas Vidas, Nossas Histórias", produzida e organizada pela equipe de trabalho social do programa Minha Casa, Minha Vida. Nas páginas do livro dividido em quatro volumes, 11 moradores contam seus relatos de vida, perdas, lutas e reconstruções.

A personagem que abre a sequência de narrativas, no Volume I, é Salete Maria Felipe Scarelli, 54 anos, que, de fato, tem uma vida repleta de batalhas dignas de serem compartilhadas. "Apesar da minha vida ter sido cheia de momentos difíceis, aprendi que é nesse momento que a gente cresce", afirma a moradora do Residencial Água da Grama.

Neste capítulo, Salete fala sobre as dores que passou ao perder duas irmãs, a mãe e o grande amor de sua vida de formas inesperadas. "Acho que aproveitei para contar muito mais sobre a história de vida da minha mãe do que a minha. Lembro dela ressaltando a importância de deixar um lugar para que eu e meus irmãos tivéssemos onde morar. Hoje, a minha felicidade é saber que eu tenho um lugar para deixar para a minha filha", conta.

Ela ainda relata que demorou para ser contemplada pelo projeto, mas que sempre acreditou que seria possível. "É muito gratificante saber que você está conseguindo um lar para sua família", diz. "Acho que as pessoas não podem nunca deixar de sonhar e lutar pelo que querem. Seria mais fácil reclamar, mas a vida nos dá muita coisa", completa.

DE SP A BAURU

A história do casal do Residencial Arvoredo Adriana Bernadete Pintto Calero, 46 anos, e Sérgio Roberto Alves Calero, 49, abre o segundo volume da coletânea com a mensagem de esperança e luta que a família travou desde a Capital.

Casados há quase 25 anos, o casal se conheceu em São Paulo, onde os dois nasceram, moravam, trabalhavam e tiveram seus oito filhos. "Em 2010, nós resolvemos vir para Bauru, depois que perdemos a nossa segunda filha, com 11 anos, por conta de uma leucemia", afirma Sergio. "Na época, a minha mãe morava em Bauru e também não estava bem de saúde. Foi tudo bastante difícil. Descobri que estava grávida do meu caçula quando perdemos a Larissa e ele veio com apenas seis meses para Bauru", conta Adriana.

Depois da batalha ao lado da filha que tinha um tipo raro da doença - o segundo caso no Brasil - e das lembranças que a pequena deixou em toda a rotina, Adriana e Sérgio tiveram que recomeçar e com dificuldades. "Moramos nos fundos da casa da minha mãe. Eu, como sou funcionária pública, vim com emprego, mas o Sérgio estava desempregado. Foram tempos muito difíceis", relembra.

Foi quando o MCMV entrou na vida da família, mas não sem causar transtornos. "Nossa obra não era liberada nunca por conta da ligação do esgoto que esperava o governo do Estado liberar as obras. Foi uma luta, eu fui em vários veículos de comunicação até conseguir", conta Sérgio. "Por conta do atraso, a fiação elétrica foi furtada e acabamos entrando no prédio sem energia. Ficamos uma semana assim", completa a esposa.

Hoje, o casal é visto como uma das lideranças do residencial em que moram e aproveitam todas as oportunidades de participar das atividades do trabalho social desenvolvidas pelo programa MCMV, como oficina de fotografia, de circo, além da horta comunitária, onde são membros ativos.

LUTAS E CONQUISTAS

Nascido em São Paulo, mas radicado em Bauru, Júlio Cesar Bastos, o Dom Black, 35 anos, é o personagem que abre o último livro da coletânea. Ele é campeão do festival nacional "Sons da Rua", conhecido como o maior evento de artistas de rap amadores do Brasil, e, no livro, conta como começou a trilhar este caminho.

Passado um caminho de muitas batalhas que inspiraram suas mais de 200 composições, Dom Black conquistou sua casa própria em 2014, quando mudou-se para o condomínio Residencial Três Américas II do programa MCMV. "Acho que quem ler minha história vai saber mais sobre resiliência e legado. Eu sou alguém que passou por muita coisa ruim e, por um período, até que eu fui um pessoa ruim. Eu me reconstruí e voltei a ajudar as pessoas não só com as minhas músicas, mas com palestras viajando o Brasil. É uma história surpreendente até para mim", finaliza Dom Black.

Para ler as histórias

Também tiveram suas histórias publicadas os moradores: Divina Vieira da Silva de Souza (Residencial Chácara das Flores I); Josefa Feitoza da Cruz e Walter Pereira da Cruz (Residencial Ipês);Nilza Barbosa (Residencial Monte Verde II); Domingas Francisca Alves (Jardim TV); Pábula Floriano Bueno Camargo (Residencial Chácara das Flores II); Suellen Grazieli Muchalete Cardoso (Residencial Monte Verde III); Fabiana Nascimento (Residencial San Sebastian) e Aparecida Rodrigues (Residencial Santana).

A coletânea "Nossas Vidas, Nossas Histórias" está disponível com as histórias completas de todos esses personagens nas bibliotecas Central e Ramais. Além dos órgãos públicos e residenciais do MCMV.

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