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'A Vila é o pai que nunca tive'

É o que alega o aposentado Avelino Alves dos Santos, de 84 anos, que frequenta o Centro Dia há mais de uma década

por Cinthia Milanez

01/03/2020 - 06h00

Malavolta Jr.

O aposentado Avelino Alves dos Santos, de 84 anos, frequenta o Centro Dia há mais de uma década

As mãos calejadas do soldador aposentado Avelino Alves dos Santos, de 84 anos, dão origem a tapetes exuberantes. O idoso desenvolve atividades como esta no Centro Dia, uma espécie de creche da Vila Vicentina, em Bauru, há mais de uma década. "A Vila é o pai que nunca tive", complementa o homem, que é filho de mãe solteira.

Avelino tem residência fixa no Mary Dota, onde vive com a sua segunda esposa, mas passa a maior parte do tempo dentro da entidade. "Eu trabalho com artesanato e gosto demais, porque aprendi muita coisa, mesmo com a idade avançada", reconhece.

Segundo ele, a Vila mudou para melhor, principalmente, no que diz respeito aos cuidadores, psicólogos e assistentes sociais. "Vivenciei um momento difícil e, graças à instituição, consegui me recuperar", assume.

O aposentado, que chegou a Bauru em 2003, ficou viciado em jogos de máquina, mas conheceu uma pessoa que o encaminhou à Vila.

Natural de Caculé, na Bahia, ele saiu da sua terra natal rumo a Cafelândia, onde trabalhou na roça. Depois, se mudou para São Paulo e começou a atuar como metalúrgico até se aposentar. 

Então, retornou ao Interior do Estado e, em Santa Bárbara D'Oeste, se casou novamente. Hoje, ele mora em Bauru, porque a sua atual companheira tem família na cidade.

ABRIGADA

Já a aposentada Marciana Dias da Silva, de 78 anos, demonstra estar a frente do seu tempo. Sem filhos por opção, ela vive na Vila Vicentina há pouco menos de dois anos.

A idosa nasceu no município mineiro de Fronteira. Em seguida, se mudou para Bandeirantes D'Oeste, onde se casou e se divorciou. Ela optou por viver em Bauru para ficar perto de uma irmã.

Porém, a idade avançada impediu Marciana de se virar sozinha, motivo pelo qual decidiu morar na Vila. "Eu gosto da entidade, que tem gente muito boa. Não conheço outra, mas duvido que exista alguma igual", conclui.

Como era antes...

Fotos: Reprodução/Malavolta Jr.

Entre 1937 e 1940, a diretoria da Vila lançou a sua pedra fundamental

Pai do atual presidente da Vila Vicentina, o aposentado Sergio Ungaro, de 90 anos, participou da 1.ª edição do Churrasco Vicentino, que se deu em dezembro de 1950, uma década depois da criação da entidade.

Antes, em 1948, ele conheceu a instituição. "A tia da minha então namorada, a irmã Andreina, era a madre superiora da Vila, na época, administrada por freiras. Eu também me lembro das irmãs Fortunata e Matilde", destaca.

De acordo com o aposentado, os vicentinos tiveram de trabalhar duro para realizar o primeiro churrasco da entidade. "O pessoal precisou se embrenhar no mato para pegar uma planta mais resistente, usada como matéria-prima para a fabricação dos espetos", narra. Segundo ele, o vicentino João Maximino picava os pedaços de carne e os distribuía em pequenos pratos. "Cada um custava 500 réis", complementa.

Até hoje, Sergio, que já foi 3.º secretário da Vila, na gestão de Delfina Pregnolato, no início de 2000, ajuda na confecção dos espetos.

Já o aposentado Silvio de Oliveira, de 92, chegou a assumir a presidência da Vila Vicentina por dois mandatos. Depois, continuou na diretoria até os anos 2000. Ele só parou de auxiliar o Churrasco Vicentino há sete anos, mas nunca deixou de prestigiar o evento.

O ex-presidente da instituição relembra momentos cômicos. "O José Aguinelo dos Santos, que alegava ter 129 anos e morreu em 2017, costumava pular o muro da Vila, com outros três companheiros, para tomar pinga. Na época, ele já possuía mais de um século. Certa vez, chamei a atenção dos quatro idosos, individualmente, pedindo para eles vigiarem quem o fizesse. Ninguém mais burlou as regras", brinca.

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