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'Tinder Animal': Zoo reproduz espécies

Zoológico de Bauru completa 40 anos em 2020; saiba como é a reprodução assistida no local

15/03/2020 - 04h18

O Parque Zoológico Municipal de Bauru completa, em 2020, 40 anos. Inaugurado em 24 de agosto de 1980, o Zoo, como é carinhosamente chamado, se tornou ponto de encontro de famílias e amigos, sejam daqui ou das mais diferentes cidades da região.

Para celebrar o aniversário de um dos pontos turísticos mais queridos da cidade, a Prefeitura de Bauru divulga uma série de curiosidades sobre o parque. Uma delas é em relação à preservação por meio da reprodução assistida.

Por uma espécie de "Tinder Animal", perpetuam-se animais como o guariba de mãos ruivas, macaca pata, grou coroado, veado catingueiro, dentre outros tantos filhotes.

MUITO ALÉM

Quem visita o zoológico pode até ter em mente os versos lúdicos do compositor Caetano Veloso: "Gosto muito de te ver, leãozinho; caminhando sob o sol". Afinal, é para o Zoo que vamos quando queremos ver as mais fascinantes criaturas, vindas do cerrado brasileiro ou da savana africana. Mas tal ideia, enraizada no imaginário popular, está para lá de equivocada. Na verdade, o buraco é bem mais embaixo - abaixo até mesmo das profundas tocas de tatu.

A zootecnista Cláudia Ladeira explica que a exposição dos animais é apenas a ponta do iceberg. "Pesquisa, conservação e educação ambiental são os pilares do Zoo, que também oferece lazer contemplativo, mas voltado à informação e ao aprendizado", explica. "Existe um estigma pautado na antiga ideia de que os zoos servem apenas para visitação, tirar foto… mas isso é o que menos importa. O foco é a saúde e o bem-estar animal", reitera.

Saiba mais: Reprodução não é indiscriminada

Não é só 'match'

Por meio de planos de preservação, comumente pensados para cada espécie, o Zoológico de Bauru desenvolve um trabalho integrado de conservação. Alinhado às diretrizes da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, o Zoo trabalha para o perpetuamento de espécies nativas da mata atlântica e do cerrado, fronteira conhecida como "cerradão", e contribui para a manutenção de backups genéticos de espécies locais e exóticas.

Tal trabalho ancora-se no pareamento de indivíduos de uma mesma espécie para reprodução assistida. Para isso, zoos filiados de todo o País registram cada animal em bancos de dados integrados que permitem a troca de indivíduos excedentes. Uma espécie de "Tinder Animal". "Disponibilizamos uma lista de animais que queremos parear e procuramos indivíduos compatíveis disponíveis em outros cantos do País", resume Cláudia.

Todavia, o processo é mais complexo do que um simples "match" (palavra em inglês popularizada pelos aplicativos de paquera, como o Tinder, que significa "combinação"). O pareamento deve ser justificado e atender normativas que se iniciam logo na solicitação, que pode ser feita entre zoos ou por intermédio de um studbook keeper - um representante nacional responsável por determinada espécie. Assim, assegura-se o nascimento de indivíduos saudáveis e a variabilidade genética, pensada de acordo com cada contexto.

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