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Reprodução não é indiscriminada

Ela ocorre somente com espécies ameaçadas de extinção ou com possibilidade de destinação

15/03/2020 - 04h21

Flamingos

Para entender um pouco melhor como funciona o processo de pareamento, a zootecnista Cláudia Ladeira dá um exemplo: "Se tivermos um casal de filhotes de tamanduá extra, dizemos que temos um excedente. Daí, outro zoo pode dizer 'queremos um macho, pois temos uma fêmea sozinha'. Com isso, inicia-se um diálogo que pode resultar na transferência do animal excedente após este passar todo o tempo de aprendizado parietal com a mãe".

Contudo, a reprodução não é indiscriminada e ocorre somente com espécies ameaçadas de extinção ou com possibilidade de destinação. A cautela estende-se no decorrer de todo o processo, do transporte do animal à chegada deste e introdução ao recinto. "Ao chegar, o animal fica em quarentena e passa por exames. Depois, é cuidadosamente introduzido no recinto", resume a zootecnista.

Geralmente, o animal recém-chegado é colocado na parte interna do recinto ou em uma gaiola, para que não haja contato direto logo de cara. O cuidado é para que não haja estranhamento, visto que os animais precisam de um tempo para se ambientar. Pouco a pouco, os pombinhos vão se conhecendo, até rolar uma química. Do primeiro contato ao nascimento do filhote, tudo é cuidadosamente observado.

O PMX

A zootecnista Cláudia Ladeira conta que o pareamento será simplificado com a adoção de uma ferramenta que paulatinamente passa a ser implantada no País. Ela, inclusive, já tem viagem marcada para conhecer o PMx, um programa genético internacional que chegará em breve ao Zoo de Bauru. "A ferramenta sugere combinações de pareamento de acordo com dados genéticos correspondentes aos resultados esperados", explica.

A capacitação reunirá Cláudia, responsável pelo sauim de coleira da Amazônia, e outros 24 studbook keepers, responsáveis por espécies como o mico-leão dourado e o lobo-guará. "Isso mostra que a reprodução não é feita a olho", esclarece a zootecnista. "A gente tem ferramentas que permitem o pareamento mais geneticamente adequado, para dar manutenção ao status genéticos dos animais", reforça.

 

Resgatar também é preservar

O Zoo de Bauru também preserva espécies por meio do resgate de animais em situação de risco. Para isso, segue as diretrizes do Plano de Ação Nacional (PAN), que contempla algumas espécies e orienta quais medidas devem ser tomadas nos mais variados cenários. Assim, salvam-se animais vítimas de queimadas, alagamentos, caças ilegais ou dos mais diversos perigos.

Além disso, parcerias com o Corpo de Bombeiros, polícias Ambiental e Rodoviária e concessionárias permitem o resgate de animais silvestres vítimas de atropelamentos e outros acidentes ou que tenham aparecido em área urbana, como a onça parda encontrada no Parque Vitória Régia em 2014.

Após resgatados, os animais recebem cuidados e ficam em observação até que a equipe do Zoo determine a soltura ou a destinação mais adequada para cada bichinho.

Outro caso, mais recente, ocorreu na última sexta-feira (28), quando uma onça vítima de atropelamento foi resgatada pela equipe do Zoo após chamado da Polícia Rodoviária. Com lesões graves na coluna e na cabeça, a fêmea foi encaminhada à Unesp de Botucatu após receber os primeiros cuidados, onde passou por exames e está recebendo o devido tratamento.

880 animais

Com uma área de 20 alqueires, o Zoo de Bauru mantém por volta de 880 animais, de 227 espécies diferentes. Repleto de fauna e flora brasileiras, o parque apresenta, além de animais nativos, bichos dos quatro cantos do mundo, e recebe, em média, 210 mil visitantes por ano.

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