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Células-tronco de decíduos em apoptose!

Ciência no Dia a Dia

28/12/2019 - 03h35

Na apoptose, as células (B) enrugam-se igual maracujá (A), soltam fragmentos (C e D) que células vizinhas fagocitam!

O uso de células-tronco representa esperança, mas não há protocolos terapêuticos oficiais que possam ser aplicados em pacientes. Os resultados e benefícios divulgados são experimentais em ensaios autorizados e supervisionados por conselhos de ética, Anvisa, Ministério da Saúde e CFM.

Ao injetar células-tronco não há garantia que tecidos e órgãos serão refeitos. A origem, manipulação e tratamento das células, mais o local e situação que serão utilizadas, são aspectos fundamentais para o sucesso terapêutico. Injetar células-tronco teciduais é muito sério e oferece riscos, incluindo-se o câncer.

Após entrevistas vem a frase final: "Muitos estudos e alguns anos levarão para aplicar isto em humanos, com testes em laboratórios, animais e ensaios clínicos." A noticia foi um projeto e não seus resultados, o pesquisador falou antes da publicação e depois se descobre que os resultados nem foram enviados para as revistas, mas impressionou! Com células-tronco acontece muito e pergunta-se: quantas pessoas foram curadas com as células de decíduos e publicou-se em revistas científicas de impacto?

COMO?

Todas células tem o gene p53 como um botão liga-desliga, quase sempre desligado. Se precisa eliminar uma célula, o corpo liga ou desreprime o p53 e ela entra em morte suicida chamada "apoptose".

Muitas células viram malignas no dia a dia e são eliminadas deste modo, sem evoluir para um tumor agressivo!

Dentes decíduos ficam pequenos e delicados demais para um adulto, e precisam ser eliminados. As células que mantem e revestem o dente decíduo ligam o p53 e inicia a apoptose assim que se termina de formar aquele dente. Sem células, a parte dura e mineralizada destes dentes ficam expostas e são reabsorvidas o que se chama rizólise. A maioria das células dos dentes decíduos estão morrendo por apoptose e as demais, logo estarão!

Os tecidos têm células de reserva quase embrionárias chamadas de "células-tronco teciduais", mas nos dentes decíduos elas estão em apoptose, morrendo por um suicídio desencadeado pelo organismo para controlar a permanência destes dentes na boca. Se quiser pegar células de dente, seria mais interessante as dos dentes do siso ou da gengiva, tecidos com plena potencialidade de proliferação!

POR FIM !

As "células-tronco teciduais" adultas são usadas para o corpo reparar traumatismos, doenças e envelhecimento, mas de forma limitada. Estas células em laboratório podem voltar a ser embrionárias por "desdiferenciação" e injetadas para refazer tecidos e órgãos.

Os pioneiros foram Takahashi e Yamanaka, e deram ao segundo o Prêmio Nobel de Medicina, em 2012.

Essas "células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)" dispensam o uso direto de células-tronco embrionárias e teciduais adultas e os longos períodos de armazenamentos!

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