Bauru e grande região

Ciências

Mandíbula cresce e dentes apinham!

Ciência no Dia a Dia - por Alberto Consolaro

11/01/2020 - 03h28

Reprodução

O apinhamento na região anterior ocorre pela pressão constante de um crescimento mínimo ou residual constante da mandíbula

São 16 dentes dentro da mandíbula, mas em muitas não cabem todos e duas situações aparecem. 1. Os terceiros molares, os últimos que se formam, não conseguem aparecer na boca e ficam no osso. 2. Os dentes se posicionam de forma desalinhada, se apinham um sobre o outro e afeta a estética e função!

As raízes são protegidas por uma rede muito fina de epitélio que não deixa o osso encostar nos dentes e nem um encostar no outro, mesmo que apinhados. Dente não "come" ou reabsorve outro dente. Dente não empurra o outro dente para a frente, nem os dentes do siso! Mas, dentes mesmo alinhados e em perfeita oclusão, sem ou com tratamento ortodôntico, podem com o passar dos anos em adultos apinhar-se, principalmente na região anterior da mandíbula, justamente a área mais visível quando envelhecemos! Em certas partes, o corpo continua crescendo mesmo depois de completada a fase adulta. Veja em fotografias antigas o tamanho da orelha: ela se agiganta com o tempo! Até daria para se disfarçar com o cabelo, mas os cabelos rareiam ou caem e lá se vai o disfarce embora!

O nariz também fica cada vez maior! Tem certas partes que crescem até horas e horas depois da morte, mas esta conversa fica para depois!

COMO?

Qual a parte mais importante para o crescimento e estabilidade da mandíbula? É o côndilo que fica articulando com o osso temporal, aquele logo a frente do ouvido e canal auditivo. Esta relação entre mandíbula e osso temporal se chama articulação temporomandibular ou ATM.

O côndilo vai desempenhando o seu papel a vida toda e vai "crescendo" com pequenas e constantes forças, apelidadas de vetores, descendo e indo para frente, fazendo a mandíbula crescer em ambos os lados. Os dentes, vagarosamente, acompanham estas forças no osso que se anulam na linha média.

A língua por dentro nos dentes, e o lábio e bochechas por fora! Os dentes de cima e dos lados, junto com osso e gengiva! Se estas forças sobre o dente se anularem, o dente fica firme no lugar; mas se uma delas ceder, o dente vai sair do lugar e as "pedras do dominó" representadas pelos dentes, vão se desalinharem e o sorriso ficará feio! Uma extração dentária pode colocar todo equilíbrio a perder!

MICROGNATIA

O tamanho dos dentes e da mandíbula é determinado por hereditariedade, mas pode sofrer influência de fatores externos ou ambientais. Se no nascimento ou na infância um traumatismo lesar o côndilo, a mandíbula pode ficar muito pequena e assimétrica (micrognatia), pois o principal centro de crescimento ficou alterado. Se a mandíbula é pequena, falta espaço para os dentes! Um exemplo clássico aconteceu com Noel Rosa, um dos gênios da música brasileira. Sua mandíbula era muito pequena, e mais ainda em um dos lados. Na época do seu nascimento ainda se usava os fórcepses (pinças metálicas) para pegar e trazer as crianças ao mundo, segurando na cabeça e apertando, justamente na ATM!

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todos os sábados no JC.

Comunique-se

Email: [email protected]

Ler matéria completa