Bauru e grande região

Cultura

No ar: a história do rádio

Historiador traz à tona história do veículo em Bauru e os problemas enfrentados na ditadura

por Mariana Cerigatto

11/01/2014 - 05h00

Isabela Ribeiro

“Objetivo é mostrar as mudanças que o momento histórico provoca nas rádios”, destaca João Francisco Tidei de Lima

“Alô, Alô, ouvintes: uma história do rádio em Bauru” é muito mais que um importante documento de pesquisa sobre o rádio e seu desenvolvimento em Bauru. Apontada como inédita pelo autor, João Francisco Tidei Lima, a obra – que será lançada na próxima terça-feira, dia 14, às 19h, na Jalovi – é um convite para aprender história e entender as principais mudanças numa época “fervorosa” no País, que atravessou as décadas de 40, 50, 60 e início dos anos 70.

Um dos enfoques da publicação é sobre a relação e as consequências para a rádio no período em que o Brasil viveu os chamados “anos de chumbo” da ditadura militar. Se engana quem pensa que os veículos de comunicação do Interior não sofreram a mesma censura dos das capitais.

Em Bauru, as três emissoras relatadas no livro – PRG-8, Auri-Verde e Terra Branca – ao mesmo tempo em que buscavam se adequar à nova realidade da revolução nas comunicações, também ficaram expostas, de uma forma ou de outra, aos efeitos da nova conjuntura política conturbada pelos fatos que culminaram no Golpe Militar de 1964.

Paixão

Apesar de professor e historiador, João Francisco assumiu cargo de gerência na Rádio Auri-Verde; e também chegou a atuar como comentarista. “A rádio era uma espécie de um bico. Dividia a atividade com as aulas de história”, contou. Apaixonado por rádio desde a infância, ele quis fazer o livro pelo gosto que sempre teve por este veículo. “O livro tem também característica autobiográfica. Meu pai gostava muito de ouvir rádio, ligava e ouvia o dia todo”, afirma.

Sobre a importância da obra, o autor ressalta que o livro fornece uma síntese da história que vai desde a fundação do rádio em Bauru até o início dos anos 70. Assim, o leitor pode ter acesso a um importante panorama econômico, político e também das mudanças sociais e como elas afetaram os meios de comunicação desde a década de 30. “Faço referência também não só às rádios, mas a outros veículos da cidade”, sublinha o escritor.

Além de textos valiosos para estudantes de comunicação e demais interessados em história da cidade e do rádio, a publicação é recheada de imagens que mostram personalidades importantes da época, além dos primórdios e percurso deste importante veículo de comunicação em Bauru.

Sobre um eventual fim do rádio com a chegada das novas tecnologias da informação e comunicação, o autor diz que o veículo continuará a desempenhar seu papel. “Ele vai continuar sobrevivendo pelas suas especificidades - a perenidade, a sua originalidade. O rádio é portátil, podemos levá-lo para qualquer lugar. Ele tem especificidades que nenhum outro meio de comunicação tem”, atesta.


Lembranças

Uma das riquezas do livro é que ele traz, com detalhes, situações da época da ditadura enfrentada pelos veículos de comunicação. Quando criou-se nas redações dos jornais, das emissoras de rádio e de televisão a figura do censor. João Francisco traz à tona lembrança importante vivida naquele momento:

“Quando se instalou a ditadura militar, um dos membros da família Simonetti – o Sica, era plantonista/âncora da rádio PRG-8. E ele, junto ao Tobias Ferreira e o chefe do setor técnico foram chamados ao quartel. E o comandante da PM disse precisamente o seguinte: “Olha, os senhores estão proibidos de noticiar qualquer ação repressiva e também devem terminar todos os noticiários com a seguinte palavra de ordem: Reina a mais absoluta calma em todo o País ”, recorda.


O autor

Historiador e professor universitário aposentado junto à Unesp (campus de Assis e de Bauru), e com passagens pela Universidade Sagrado Coração (USC) e pós-graduação pela Universidade de São Paulo (USP), João Francisco Tidei de Lima possui especialização no Institut Européen des Hautes Études Internationales, Universidade de Nice, França. É ainda responsável pela organização do arquivo ferroviário depositário de toda a documentação escrita, impressa e fotográfica da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, disponibilizado para o público desde 1995 ao lado da Estação Ferroviária da praça Machado de Melo, em Bauru.

 

  • Serviço

O lançamento da obra será na Livraria Jalovi do Altos da Cidade, que fica na rua Antonio Alves, 22-75.