Bauru e grande região

Cultura

Sem fronteira para rever o passado

Livro ‘Fronteira Infinita...’, com detalhamento sobre primórdios da “Bahurú” de ontem que se tornaria a Bauru atual, será lançado hoje na cidade

25/06/2019 - 07h00

Reprodução
Kaingangs e coroados em aldeamento pelo dia de visita do inspetor Luiz Horta Barbosa e do chefe de seção Manoel Armando

Fruto de um trabalho profundo de estudo e organização de imagens e informações, o livro "Fronteira Infinita: índios, bugreiros, escravos e pioneiros na Bahurú do século XIX" será lançado hoje, 25/6, às 18h30, no Bar da Rosa. A obra tem pesquisa histórica e textos de Edson Fernandes e Luís Paulo Domingues; coordenação de Cláudia Leonor Oliveira; e design gráfico de Gustavo Domingues.

Material de divulgação destaca que, ao contrário do que costuma propagar o senso comum, a história de Bauru não começa com as ferrovias e nem mesmo antes disso, na fundação do município em 1896.

O ponto inicial da aventura que promoveu a formação da Cidade Sem Limites foi o distante ano de 1850, quando mais de mil homens fortemente armados saíram da então Freguesia de Botucatu para tomar grandes extensões de terras no oeste da província de São Paulo.

Botucatu era, naquele tempo, o último lugarejo habitado pelo homem não índio a oeste do mapa paulista. Acima da Serra de Botucatu, os indígenas eram um grande obstáculo para a conquista da selva desconhecida que havia em São Paulo.

No final da expedição de 1850, parte daqueles mil homens descobriu a nascente do Rio Batalha. A partir disso, eles tomaram as terras das margens do Batalha, mas só depois de mais de um ano de guerra contra os nativos da etnia Kaingang, inciando a ocupação do território bauruense e de suas cercanías.

ATRATIVOS

Divulgação
Pesquisa/textos são de Edson Fernandes e Luís P. Domingues
Fotos: Reprodução
Última casa do “bairro do Baurú” antes do sertão: origens
Turma da Expedição do Rio Feio e Aguapeí: cena histórica

"Fronteira Infinita,,," revela esses aspectos a partir do trabalho do historiador e professor Edson Fernandes e do jornalista e escritor Luís Paulo Domingues, que também farão bate-papo com os presentes aos lançamentos nesta terça.

Luís Paulo, aliás, já havia lançado, em 2015, o livro "Boca do Sertão: A História de Piratininga na Marcha do Café" (também pelo ProAc-ICMS). No mesmo ano, editou o jornal "Boca de Sertão", periódico de distribuição gratuita em cinco cidades da região.

Na coordenação do projeto que virou "Fronteira Infinita..." está Cláudia Leonor de Oliveira - formada em História com mestrado em Comunicação, ambos pela USP, e atualmente doutoranda em Estudos em Comunicação para o Desenvolvimento (Universidade Lusófona do Porto - Portugal).

As origens do povoado na Baixada do Silvino, a dificuldade da vida no isolamento do sertão paulista, a escravização africana e indígena nas nossas terras, a chegada do café e das ferrovias e até a pacificação com os indígenas Kaingang em 1912 são outros tópicos contemplados.

AGREGANDO

A publicação conta, ainda, com trabalho de localização e edição de imagens com boa parte das fotos cedida pelo Museu Ferroviário Regional de Bauru e pelo Museu Geológco do Estado de São Paulo, além de muitas outras que vieram de acervos pessoais.

Um destaque especial está no capítulo dedicado à presença do etnólogo Curt Unkel em Bauru, mais tarde batizado Curt Nimuendajú, que se tornou um dos maiores pesquisadores da vida indígena do Brasil e cuja carreira foi iniciada na Cidade Sem Limites.

A equipe mantém uma página de divulgação e disseminação de conteúdos históricos sobre Bauru e região, no Facebook, chamada Boca do Sertão, que conta com mais de mil seguidores. Algumas instituições culturais e de ensino receberão exemplares. 

Viabilização e contexto

Produzido e viabilizado através do Proac-ICMS (a lei de incentivo à cultura do Estado de São Paulo), com patrocínio da Plasútil, "Fronteira Infinita" conta como aqueles homens rudes conquistaram as terras de Bauru e como conseguiram manter a posse de suas terras, registrá-las em seu nome e rechaçar os ataques dos indígenas Kaingang.

Além disso, o livro refaz como era a vida daqueles pioneiros: o que plantavam, como criavam seus animais, como cooperavam entre si, durante toda a existência do Bairro Rural do Bauru, entre a década de 1850 e o ano de 1893 - quando finalmente Bauru se torna um distrito e passa a contar com uma primeira presença do Estado.

Você sabia?

Hoje também haverá projeção de imagens que ilustram a obra, além da exibição do filme “Relógios Adiantados”, do jornalista e roteirista Paulo Tonon.

SERVIÇO

Lançamento do livro "Fronteira Infinita: índios, bugreiros, escravos e pioneiros na Bahurú do século XIX" (editora Universo Elegante): 25/6, hoje, a partir das 18h30, no Bar da Rosa - rua Aviador Gomes Ribeiro, 20-81. Mais informações: (14) 9 9196-5680 (com Cláudia Leonor de Oliveira).

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