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Cultura

'Revolução prateada'

Modernas, pessoas com mais de 50 anos se sentem mais livres para se vestir como querem

por FolhaPress

13/10/2019 - 06h00

Reprodução/Facebook

Patida Mauad, 61 anos: não é mais preciso ser jovem para vestir bermuda, colocar tênis e usar um decote ou um vestido mais curto

É sabido que homens e mulheres já não escolhem o pijama como roupa oficial ao chegarem perto da aposentadoria. Eles estão mais ativos e modernos. Mas isso está afetando o mercado da moda. Principalmente em relação às mulheres.

Patida Mauad, 61 anos, que trabalha na área há 34 e hoje atua como influenciadora, inspira essa geração que passou dos 50 anos e está querendo se encontrar nessa nova fase da vida, sem deixar sua identidade para trás. "Ouço muitas mulheres pelas redes sociais, e elas dizem que são criticadas por filhos e netos pelo jeito que se vestem."

Não é mais preciso ser jovem para vestir bermuda, colocar tênis e usar um decote ou um vestido mais curto, segundo a especialista. E ela afirma que mulheres dessa idade estão começando a perceber isso e a se rebelar. "Elas estão livres porque já não precisam atender aos pedidos do marido ou dos filhos e isso está se refletindo na moda", diz Mauad.

O despertar desse público já é notado pelo mercado. Segundo os organizadores da Longevidade Expo Fórum, o público "50 " já é chamado de "Revolução Prateada", em referência aos cabelos grisalhos. Um segmento com enorme potencial, que no Brasil representa mais de 50% do mercado consumidor, movimentando R$ 1,8 trilhão por ano, de acordo a Pesquisa Longevidade, feita pelo Instituto Locomotiva.

Questão de personalidade

O Brasil já tem hoje 51 milhões de brasileiros com 50 anos ou mais, e a perspectiva do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é que serão 72 milhões em pouco mais de uma década.

Um dos exemplos está na TV. A atriz Suely Franco, 79 anos, vem chamando a atenção na novela "A Dona do Pedaço" (Globo) justamente por causa do figurino ousado de sua personagem Marlene. As roupas elegantes foram escolhidas pelas figurinistas Sabrina Moreira e Claudia Kopke para representar a doçura da mulher "que cuida, que recebe, que aconchega". Betty Faria, 78 anos, está no mesmo núcleo.

"A personalidade sempre estará lá e estamos mais livres, principalmente nós, mulheres, para usarmos o que nos agrada. Mas claro que a maneira de vestir vai se adequando ao longo dos anos. Hoje se adequa mais à maturidade que adquirimos do que às regras impostas pela sociedade", diz Kopke. "Sou a favor de usarmos o que nos faz feliz porque nós temos a percepção do nosso corpo e do que nos cai bem."

Mulheres mais velhas consideradas modernas são aquelas que continuaram impondo sua personalidade ao modo de vestir.

A dentista Magali Frossard Ribeiro, 59 anos, é um exemplo. "Não tenho dificuldade de encontrar as roupas que me agradem. Gosto muito de cor, então minhas roupas são sempre bem coloridas, inclusive meus calçados. Não curto nada básico. Até a minha casa tem cores em todos os cômodos", afirma Ribeiro, que mistura peças e faz o seu próprio estilo. "É difícil achar roupas de festa. Outro dia, em um casamento, fiz a minha própria composição."

Há ainda mulheres que começam a perceber que têm mais tempo para elas mesmas. "Acho que essa revolução está começando porque as pessoas com mais de 50 já criaram seus filhos, netos e agora têm tempo de olhar mais para si. Comprar uma roupa especial, que a faça se sentir integrada ao mundo, é um cuidado com si mesmo. As pessoas mais velhas não compram mais por impulso, querem qualidade e querem se sentir inseridas no mundo", diz Everton Moreira, da marca FCKT, que atende a terceira idade.

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