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Cultura

'Irmã Dulce, a santa dos pobres'

Livro é resultado de oito anos de pesquisa do jornalista Graciliano Rocha, que consultou documentos pelo Brasil, EUA e Itália

por JCNET

09/10/2019 - 06h00

Reprodução

Irmã Dulce se tornará a primeira santa nascida no Brasil neste domingo

Chega às livrarias 'Irmã Dulce, a santa dos pobres', a biografia da mulher que se tornará, neste domingo (13), a primeira santa nascida no Brasil. A obra resulta de oito anos de pesquisa do jornalista Graciliano Rocha, que consultou documentos pelo Brasil, Estados Unidos e Itália.

Entre os mais de 100 entrevistados, estão familiares da freira e representantes dos meios católico, político e empresarial, como o ex-presidente José Sarney, o banqueiro Angelo Calmon Sá e o empreiteiro Norberto Odebrecht (1920-2014), amigo próximo da freira por mais de 50 anos.

Nascida em uma família de classe-média alta de Salvador, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (seu nome civil) descobriu sua vocação religiosa poucos anos após a morte precoce da mãe, quando tinha 7 anos. Ela decidiu que seria freira depois que uma tia a levou para visitar cortiços de Salvador, no final dos anos 1920. A obra mostra como Irmã Dulce se transformou em uma das figuras mais influentes do catolicismo brasileiro e reconstitui encontros da freira com Madre Teresa de Calcutá e com o papa João Paulo II.

O livro examina Irmã Dulce além da religião. Trata-se de uma mulher forte e empreendedora, que fundou um hospital, criou um orfanato e era o último recurso de pobres e doentes que não tinham outra porta a bater. Isso foi especialmente importante em uma época em que não existia o SUS e pessoas sem carteira assinada não tinham direito a atendimento em hospitais públicos.

Irmã Dulce antecipou em muitas décadas a chegada das mulheres a posições de liderança em um tempo em que a sociedade relegava um papel subalterno às mulheres. Ela assumia riscos e tinha enorme capacidade de tirar do papel grandes empreendimentos num mundo dominado por homens, sem se deixar dominar por eles.

A obra também ilumina o perfil político de Irmã Dulce ao examinar a relação da religiosa com o poderoso Antonio Carlos Magalhães e praticamente todos os presidentes da República desde Eurico Gaspar Dutra (1946-1950). De João Baptista Figueiredo (1979-1985), último presidente do regime militar, arrancou risadas e dinheiro para ampliar sua obra. Nenhum político foi tão próximo dela quanto o presidente José Sarney. Ela era uma das poucas pessoas que tinha o número de telefone que ficava na mesa do presidente no Palácio do Planalto.

A extenuante rotina de trabalho e os anos de penitência pessoal cobraram um preço alto de sua saúde. Ao final da vida, seus pulmões operavam com menos de um terço da capacidade e sua morte foi precedida por um ano de muita dor em uma UTI instalada em seu quarto no convento. O livro também apresenta detalhes e revelações sobre os dois milagres atribuídos à intervenção de Irmã Dulce e que foram reconhecidos pelo Vaticano que levaram os papa Bento XVI a declará-la beata, em 2010, e Francisco a torná-la santa, em 2019.

Sobre o autor

 

Graciliano Rocha nasceu em São Paulo, em 1976. Formou-se em Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Trabalhou no jornal Folha de S.Paulo, onde cobriu temas como a renúncia de Bento XVI, a guerra do Mali (África) e a operação Lava Jato. Atualmente, é editor do BuzzFeed News no Brasil. O livro "Irmã Dulce, a santa dos pobres" tem 296 páginas e preço sugerido de R$ 49,90.

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