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O caçador vira a caça

Em em desenvolvimento há 20 anos, a trama conta com Smith no papel de Henry Brogan, assassino de elite que se vê caçado

por Estadão Conteúdo

10/10/2019 - 06h00

Divulgação

Will Smith interpreta Henry Brogan, um matador, que um dia se vê caçado por um outro matador: uma versão mais jovem de si mesmo

Ang Lee gosta de experimentar novas tecnologias. Em "As Aventuras de Pi", pelo qual levou seu segundo Oscar de direção, todo o cenário e os animais eram digitais. Em "A Longa Caminhada de Billy Lynn", sobre um soldado que volta para casa depois de lutar na Guerra do Iraque, utilizou 120 quadros por segundo (em vez dos tradicionais 24) e 3D.

Lee volta a usar o mesmo recurso em "Projeto Gemini", que estreia nesta quinta-feira (10), mas com algumas complicações. Por exemplo, um Will Smith de 23 anos criado por uma combinação de captura de performance e animação. "Quero deixar bem claro que não é rejuvenescimento. Nós criamos um novo personagem, um jovem Will Smith."

Will Smith interpreta Henry Brogan, um matador, que um dia se vê caçado por um outro matador: uma versão mais jovem de si mesmo, um clone que atende pelo nome de Junior. "Precisava ser uma pessoa. Não um robô, mas um ser humano de verdade, um personagem realista", disse Lee. 

Para Smith, foi um desafio como poucos em sua carreira. "Deu um pouco de medo, porque seus velhos truques não funcionam. Coisas que posso esconder em 24 quadros por segundo são impossíveis de disfarçar em 120 quadros por segundo. E com a câmera 3D toda tomada é muito próxima, então dá para ver cada poro. Se você fingir um momento, todo o mundo vai ver." Quando contracenou consigo mesmo, primeiro filmou todas as cenas como Henry, com outro ator - que estudou o Will Smith aos 20 e poucos anos - fazendo o papel de Junior. Depois, no fim, com a parafernália de captura de performance, Will Smith fez a parte de Junior. Há cenas de luta, inclusive, que foram feitas assim, só que com um dublê fazendo a parte de Junior, já que o rosto seria recriado pelos artistas da WETA Digital.

Para Ang Lee, o processo todo é diferente. "É preciso sentir as profundezas da vida, da emoção, e isso vai atingir o público." 

'Nós criamos os nossos próprios inimigos', diz Will Smith

Aos 51 anos, Will Smith confronta a si mesmo em Projeto Gemini. O ator falou do filme em uma coletiva para a imprensa em Los Angeles. Para ele, cada um de nós cria seu pior inimigo.

Você disse que, aos 23 anos, não poderia interpretar papéis como o que vive agora no filme. Por quê?

Will Smith - Para Ang Lee, era algo muito pessoal. Nas nossas conversas iniciais, ele falou muito de si mesmo, para me fazer entender o que estava tentando captar entre esses dois personagens. Aos 23 anos, eu nem sequer compreenderia o que ele estava tentando dizer, da reflexão de pensar em quem você é, o que fez, ver uma versão similar de si mesmo indo pelo mesmo caminho e lutar contra o arrependimento.

O filme usa muitos espelhos. É uma metáfora?

Will Smith - Sim, eu gosto muito da ideia de que você guarda as sementes de seu próprio pesadelo. Que nós criamos nosso pior inimigo.

Que tipo de comentário político e social o filme está fazendo sobre corporações e o governo?

Will Smith - Para mim é menos sobre o governo e a política e muito mais sobre a arrogância do ser humano, a insanidade de querer ser Deus, controlar a natureza e achar que tem o direito e o dom da criação.

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