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Cultura

Criações atemporais de uma artista

Mostra itinerante da artista japonesa Chiharu Shiota pode ser conferida no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo

09/01/2020 - 03h33

Sunhi Mang

Artista começou com pintura e derivou para outras linguagens e criações instigantes

O Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo apresenta uma mostra retrospectiva itinerante que exibe instalações da artista japonesa Chiharu Shiota. Com curadoria de Tereza de Arruda, "Linhas da Vida" reúne trabalhos que datam do início da carreira de Shiota, em 1994, até criações inéditas.

A transitoriedade dos ciclos da vida, a memória e a própria experiência pessoal inspiram a obra de Shiota. Conhecida principalmente por seus emaranhados de linhas, Shiota é autora de uma obra multidisciplinar.

Nascida em Osaka e radicada há 23 anos em Berlim, a artista iniciou carreira em 1994, tomando a pintura como principal suporte. Todavia, logo descobriu que o espaço bidimensional era limitado para seu processo criativo e expandiu para as outras linguagens. "Linhas da Vida" reúne cerca de 70 obras.

"Há certos motivos que acompanham Chiharu Shiota por toda sua carreira e surgem paralelamente em sua produção, a exemplo de objetos pessoais como chaves, vestuário, cartas, mobiliário e, ainda, elementos ícones da transitoriedade, como barcos", explica a curadora. "Fotografias, vídeos, desenhos, gravuras e objetos foram selecionados meticulosamente para uma imersão no universo de Chiharu Shiota", completa.

'UNIR AS PESSOAS'

Organizada em cinco núcleos, a exposição é um convite de Shiota para que o visitante faça reflexões sobre a vida, seu propósito, conexões e memória.

"Quero unir as pessoas no Brasil, não importando sua origem, status social, formação educacional, nacionalidade ou qualquer outro fator divisor. Como humanos, devemos vir juntos e questionar o nosso propósito na vida e por que aqui estamos", afirma a artista.

Em um dos destaques da mostra, dois barcos escuros surgem em meio a emaranhados de cordas vermelhas como alusão aos caminhos da vida. Trata-se de "Dois barcos, um destino" (2019), uma metáfora da artista sobre as formas de avançar, viajar, sem necessariamente saber qual é o ponto final, tal qual o percurso da vida.

"Os barcos simbolizam os portadores de nossos sonhos e esperanças, levando-nos através de uma jornada de incerteza e admiração", diz Arruda.

LIBERDADE CRIATIVA

Em outra criação, a tinta usada por Shiota era tóxica e a artista sentiu imediatamente sua pele queimar e o pigmento só desapareceu de sua pele depois de alguns meses.

Passados cerca de 20 anos, a artista voltou a utilizar a tela, porém não como um suporte pictórico convencional, mas, sim, como suporte de sua assinatura pessoal, sobre a qual aplica a trama de lã originariamente utilizada em suas instalações.

No segundo andar, a artista exibe "A chave na mão" (2015), instalação que esteve na 56ª Bienal de Veneza, na qual Chiharu representou seu país no pavilhão do Japão. A obra é composta por dois barcos que lembram, segundo a artista, duas mãos receptoras prestes a agarrar ou deixar de lado uma oportunidade, postos em um emaranhado de 180 mil chaves.

"O montante foi coletado por Shiota em uma campanha internacional, ato que a comoveu porque as pessoas normalmente dão suas próprias chaves aos outros em quem confiam. E para artista, as chaves estão associadas a memórias pessoais que nos acompanham em nossas vidas cotidianas", conta Tereza de Arruda. A lã vermelha usada para montar a trama que emaranha os barcos simboliza os vasos sanguíneos do corpo e conecta a multidão dos proprietários das chaves.

A exposição também será exibida nas unidades do CCBB em Brasília (3 de março a 10 de maio de 2020) e no Rio de Janeiro (10 de junho a 31 de agosto 08 de 2020).

SERVIÇO

"Linhas da Vida" (exposição de Chiharu Shiota): até 27 de janeiro de 2020. Entrada gratuita. Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo - CCBB SP. Rua Álvares Penteado, 112, Centro (acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô). (11) 3113-3651 / 3652. Todos os dias, das 9h às 21h, exceto às terças. [email protected] 

Você sabia?

Obras da artista estão

em suportes diversos: instalações, performances, fotografias e pinturas

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