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Cultura

Sesc prepara reabertura

Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc, compara reabertura a um renascimento; decisão de reabrir vale para todo o Estado

por FolhaPress

06/08/2020 - 05h00

Danilo Santos/Folhapress

Danilo Santos Miranda: "Vamos seguir o protocolo que for estabelecido"

Quase cinco meses depois de fechar todas as unidades, em 17 de março, o Sesc reabre no Estado de São Paulo nesta segunda (10), para os funcionários que vão preparar a retomada dos serviços. Só com hora marcada, começando por serviços como ginástica multifuncional e dentista. Alimentação deve reabrir mais à frente, talvez daqui a um mês. Teatro, cinema, as artes, só em outubro, possivelmente novembro.

É o que anuncia o diretor regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda, que está realizando uma série de videoconferências nesta semana com especialistas, visando embasar o exército de mais cem gerentes e 7.900 funcionários do Sesc para a reabertura. Ele vê os últimos cinco meses como um aprendizado virtual para a instituição, com mais de cem lives e o lançamento de sua nova plataforma digital, mas não esconde que a vocação é outra. "Nós juntamos gente."

Os teatros abrem agora?

Danilo Santos Miranda - Aí, ainda não. Ainda nem está autorizado. Nós vamos seguir o protocolo que for estabelecido. Mas não é simplesmente abrir o teatro, o cinema ou a exposição. Nós vamos ver aquilo que acessamos com a própria produção artística. Temos muitas atividades que estavam previstas e foram suspensas. Eu espero que em outubro, novembro, a gente tenha condições de fazer isso. Mas não tenho uma previsão, porque vai depender inclusive da evolução da pandemia.

Como você vê os resultados da ação virtual nos últimos meses?

Miranda - Nós juntamos gente. Nossa vocação institucional é juntar gente. O virtual alcança até mais, mas com outro tipo de impacto, que não tem o mesmo resultado. Pode ter, em um caso ou outro.

Há quem prefira atividade presencial.

Miranda - Para a maioria o presencial tem uma força maior. Além disso, tem a questão do partilhamento. A audiência partilha, está junto, vibra. Ou não vibra. Tudo isso faz parte. As artes cênicas, de modo particular, elas necessitam desse estado de presença.

Foram tiradas lições também dos três meses de suspensão de parte dos recursos pelo governo?

Miranda - Primeiro, acho importante ressaltar o estranhamento do corte. No momento em que há uma necessidade maior de que as pessoas mudem de atitude, criem hábitos novos, é fundamental que a educação e a cultura estejam presentes. É um esforço também de outras instituições, como o jornalismo, mas eu acho que é a cultura que cria valores, que cria mudança. E justamente nesse momento se resolveu cortar 50% dos recursos.

E em segundo lugar?

Miranda - Claro que, dessa maneira, a gente está procurando soluções. Com o virtual, a gente usou menos recursos para fazer, não a mesma coisa, mas algo semelhante, que trabalha com os atores, músicos, o pessoal de dança, de maneira intensa. Já são mais de cem lives neste período. "Ah, mas não tem alcance profundo." Não tem, mas tem alcance extensivo. As nossas ações estão atingindo o país inteiro. Pessoas estão vendo nossas lives na América Latina, na Europa, em toda parte. É um ganho significativo. Mais importante ainda é a capacitação do nosso pessoal para isso. Sem falar da plataforma que lançamos nessa pandemia. Uma coisa são as lives, outra é a plataforma, que reúne um material imenso. São milhares e milhares de ações em todos os campos artísticos. Vamos colocar boa parte do nosso acervo de artes visuais, com recortes importantes sobre as escolas, os modos de fazer. A gente está aprendendo muito. Um ganho grande de penetração do nosso trabalho e um ganho também para os artistas.

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