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Cultura

Escritoras ligadas a Bauru na Feira de Frankfurt

Elas estão na obra 'O vazio não está nem quando é silêncio', com coletânea de contos e crônicas que reúne autoras que nasceram ou já viveram na cidade

15/10/2020 - 05h00

Editora Mireveja/Divulgação

"O vazio não está nem quando é silêncio": escritoras falam de solidão, afeto, trabalho e outros

Nesta sexta-feira (16), escritoras da obra "O vazio não está nem quando é silêncio - vozes femininas na literatura", uma coletânea de contos e crônicas que reúne 21 autoras que nasceram ou já viveram em Bauru, participam da Feira de Frankfurt 2020, maior evento do mercado editorial do mundo. Lançada em setembro, a obra busca ampliar, fora dos grandes centros, a voz das mulheres num espaço ainda hoje amplamente ocupado por homens: a literatura.

Como neste ano o evento será online, as escritoras vão participar de duas lives em formato de mesas de discussão, daqui do Brasil, e o livro físico estará presente nas livrarias credenciadas da feira. O convite foi feito pela Roh Komm TV, uma plataforma de TV streaming online, com sede na cidade de Frankfurt, que se dedica a divulgar temas relacionados à América Latina na Alemanha, em áreas como cultura, gastronomia, saúde e educação. As lives serão exibidas no canal do YouTube da entidade: www.youtube.com/rohkoomtv.

O primeiro encontro acontece nesta sexta, às 9h (horário de Brasília), terá como tema "Mulheres na literatura: por que escrever?" e reunirá três escritoras de "O vazio não está nem quando é silêncio", Adriana Maximino, Natália Mota e Carolina Bataier, além da organizadora do livro, Patrícia Lima. A moderadora será Patrícia Scheld, designer, ilustradora e fundadora do Ilustralabor. Juntas elas vão abordar o processo de produção do livro e as dificuldades da publicação de obras feitas exclusivamente por mulheres no Brasil e no mundo.

Fernanda Rosário, uma das autoras, que assina o texto "No encontro com os meus, eu me vi", participará do segundo encontro, com o título "Literatura como resistência", que acontecerá também nesta sexta, às 11h (no horário de Brasília).

Fernanda Rosário é uma jovem estudante de Jornalismo e surpreende pela força e pela poética de seu texto, que toca em questões como a violência doméstica, o relacionamento abusivo, a negritude e a afetividade da mulher preta, adentrando sentimentos que só quem vive essa realidade na pele, literalmente, pode nos contar. Inicia seu texto com a frase "Todos os dias, eu morro um pouco mais" e nos mostra as verdadeiras transformações de alguém que busca respeito pelo que é e pela cor que carrega. Fernanda Rosário nos surpreende pela maturidade de quem sabe o que quer dizer e sabe que seu caminho é expressar-se através das palavras, da literatura. Publica seus textos no Instagram @historias_que_conto.

A mesa reunirá, além de Fernanda Rosário, as escritoras Cristina Judar, autora das HQs "Lina" e "Vermelho, vivo" e do livro de contos "Roteiros para uma vida curta" (menção honrosa - Prêmio SESC de Literatura 2014), e Julie Dorrico, doutoranda em Teoria da Literatura pela PUC-RS e autora de "Eu sou macuxi e outras histórias", além de pesquisadora de literatura de autoria indígena do Brasil.

SERVIÇO

"O vazio não está nem quando é silêncio" é uma iniciativa da Editora Mireveja, criada em Bauru em 2019, que tem se dedicado a projetos que dialogam com a cidade e valorizam autores locais. Organizado pela escritora Patrícia Lima, "O vazio não está nem quando é silêncio" trata de assuntos como solidão, afeto, maternidade/não maternidade, sexualidade, trabalho, loucura, e ainda oferecem boas pitadas de humor. O livro está à venda por R$ 40,00 no site da editora: http://www.editoramireveja.com /. Para acompanhar as lives, acesse http://www.youtube.com/rohkommtv /. Outras informações: [email protected] e (14) 99148-0190. 

Livro que virou música

Patrícia Lima destaca que o processo coletivo de produção do livro gerou outros frutos além da literatura. É o caso da canção "O vazio não está", composta por Karina Limsi (uma das autoras) e pelo músico André Fernandes. A música nasce da leitura do conto de outra escritora, Renata Machado, que dá título à coletânea. Karina, que participa do livro com o conto "Elucubração em torno da palavra baque", conta que a canção começou a ser composta assim que teve contato com o texto de Renata Machado. "Eu costumo iniciar uma canção pensando na temática, esboçando uma letra e a melodia, para depois, com a ajuda de meus parceiros, trabalhar na composição do arranjo, da harmonia. No caso dessa canção, tudo nasceu muito naturalmente, pensando nos vazios e silêncios que o texto traz e que são preenchidos por inúmeros significados e sentidos - para uma mulher madura é quando os filhos se vão, para as mais jovens é quando percebem que os pais envelhecerem, ou mesmo quando os amores não se completam, além da solidão, entre outros tantos sentimentos", explica Karina. No vídeo produzido para a canção, além do violonista André Fernandes, Karina conta com a participação de Denisar Carvalho, no baixo, e Rodrigo Santanna, na guitarra.

Link para o vídeo da música "O vazio não está": https://www.youtube.com/watch?v=Y8xNGJAv0zc&feature=youtu.be

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