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Cultura

Bruce Springsteen lança 'Letter to You'

É o 20º álbum de sua fantástica carreira de 47 anos

por Ivan Finotti

18/10/2020 - 05h00 atualizado às 05h00

Reprodução

Springsteen volta ao trabalho com a E Street Band

Bruce Springsteen lança na sexta (23) o 20º álbum de sua carreira de 47 anos. É "Letter to You", uma excelente dúzia de canções de rock e uma volta ao trabalho com o seu grupo de sempre, a E Street Band, com quem ele não tocava havia seis anos. O disco é resultado da primeira vez que Springsteen gravou ao vivo em estúdio com a banda, ou seja, com todos tocando ao mesmo tempo. Com o disco, vai ao ar também um filme homônimo de 85 minutos, dirigido por Thom Zimny. O documentário captura o trabalho em estúdio e volta algumas vezes no tempo para situar "Letter to You" no escopo da carreira de Springsteen.

Nesta semana, ele fez uma chamada pelo Zoom com cerca de 20 jornalistas das línguas espanhola, portuguesa e italiana, em que detalhou diversos aspectos de seu lançamento. "Não escrevia canções para a E Street Band há uns seis anos [desde o álbum 'High Hopes', de 2014]", diz ele. "Enfim, me envolvi numa série de projetos, mas sempre pensando quando voltaria a fazer um disco com a banda. E, se eu conseguisse, seria um disco de rock. Para mim, essa é a música mais difícil de escrever", ele afirmou.

Faltava, no entanto, um gatilho para que Springsteen se dedicasse ao novo álbum. E aconteceu na forma da morte de um amigo próximo. "Na verdade, aconteceram algumas coisas. Um dia saí do show da Broadway e tinha um rapaz, acho que italiano, parado na rua segurando uma guitarra. Ele me deu a guitarra e eu fui autografar, mas ele disse 'não, não, é para você'."

"E era uma linda guitarra. Vim para casa, coloquei na sala e lá ela ficou por uns seis meses. Aí, soube que um amigo muito próximo, da minha primeira banda, The Castiles, estava muito doente e morreria em algumas semanas. Fui visitar. Era o último sobrevivente daquela banda e agora só sobrou eu mesmo. Foi esquisito olhar para os tempos de adolescente e ver que como todo mundo tinha morrido."

De volta à sua casa, ele escreveu "Last Man Standing" inspirado no amigo. E, depois dessa, todo o resto veio em uns "sete ou dez dias", conta. "E tudo foi escrito naquela guitarra que o rapaz tinha me dado na rua."

As letras do novo disco falam muito sobre o rock em si, sobre música, sobre estar numa banda. "Há tanta coisa não planejada que acontece no caminho e que acaba sendo melhor que o planejado."

Ao final da conversa, Springsteen respondeu sobre o fato de ter aberto seus últimos shows no país, em 2013, com a música "Sociedade Alternativa", de Raul Seixas. Antes disso, havia tocado em São Paulo em 1988, na turnê Humas Rights Now!, que dividiu com artistas como Sting e Peter Gabriel.

"Um dos meus maiores arrependimentos é de eu não ter ido tanto aos países latinos para desenvolver uma base de audiência semelhante à que fizemos nos EUAs e na Europa. Foi uma oportunidade perdida. Eu particularmente acho que deveríamos ter ido mais nos anos 1980."

'Acidentes felizes'

Sobre as gravações terem ocorrido em menos de uma semana, Bruce Springsteen mal pôde acreditar. Há discos, ele conta, cujas gravações duraram mais de um ano. "Normalmente eu gravo demos [fitas de demonstração, sem qualidade final], mas é sempre um erro, porque você acaba gostando demais daquela fita e tem problemas em deixar algumas ideias de lado para a gravação final. Então, não pré-gravei nada para a banda ouvir antes", diz. "Eu tinha as músicas registradas no meu iPhone, só no violão. Não fiz mais nada até que a E Street Band chegasse. Então, foi assim, eu tocava para eles no violão, eles aprendiam na hora, entrávamos no estúdio e gravávamos, todos tocando ao mesmo tempo, ao vivo. Gastamos umas três horas por música, umas duas músicas por dia e, nuns quatro ou cinco dias, estava feito. É um recorde para a gente, sem dúvida. Nós já tínhamos gravado discos em três semanas, mas nunca assim. Se você assistir ao filme, verá a mecânica de como nossa banda funciona. O filme é bem legal ao documentar bem isso. Eu fiquei muito feliz em gravar tão rápido porque, de outra forma, eu fico louco tentando descobrir o que é que estou fazendo, afinal." A bela sequência de fotos que estampa a capa do disco foi realizada no Central Park. Apesar de ter sido feita há cerca de dois anos, ela caiu como uma luva no projeto. "No final, é tudo uma questão de acidentes felizes; é como a criatividade funciona", diz.

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