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Cultura

Entre o real e a imaginação

Profissionais de Bauru transportam fotos para além das imagens: elas transmitem sensações e são instrumentos de transformação

por Samantha Ciuffa

19/11/2020 - 05h00

Olicio Pelosi

Registro de um dia em férias com a família transformou-se em belo quadro

Se a função da fotografia "de parede" é levar o espectador a uma pequena viagem e proporcionar um descanso para o olhar, como acredita o fotógrafo Olicio Pelosi, 70 anos, ou se funciona como um portal entre o real e a imaginação e até mesmo como uma forma de resistência, como explica a fotógrafa e doutora em Comunicação Erica Franzon, 45 anos, o que salta aos olhos, à primeira vista, é a beleza concretizada nessas fotos - que substituem as pinturas e desenhos em quadros espalhados pelos ambientes.

Há 10 anos na trajetória das imagens, Franzon passou a enxergar outros sentidos na fotografia a partir de seus estudos no doutorado, que abordou as releituras criadas a partir da foto de Aylan Kurdi, o menino sírio morto em uma praia da Turquia. "Era difícil lidar com o tema e eu sofri muito durante a produção dessa tese. O fotojornalismo pode ser muito duro às vezes e, em contrapartida, busquei compartilhar a poética de um cotidiano de beleza e delicadeza", conta.

Foi quando, no começo deste ano, Erica passou a se dedicar ao que ela chamou de "Fotografia na Parede", projeto que busca decorar ambientes com imagens do dia a dia. "São registros que fiz durante viagens a alguns países como Alemanha, Itália e Portugal. O objetivo não é mostrar pontos turísticos, mas transmitir aquilo que me afetou no momento da foto", afirma Franzon. "A gente não precisa transformar apenas através do que é feio e duro. O belo é importante e a concretização desse tipo de fotografia também é um instrumento de transformação", finaliza.

Alívio para os olhos

O fotógrafo bauruense Olicio Pelosi aproveitou o período de quarentena para revisitar seus arquivos e o que encontrou foram fotos que, tiradas despretensiosamente, poderiam transmitir bons sentimentos e sensações para pessoas sobrecarregadas com a pandemia. "Distribuí para meus amigos um link com aproximadamente 60 imagens, dizendo para que eles relaxassem e tivessem um descanso do olhar", narra Pelosi.

Foi então que o também professor passou a organizar a venda de quadros a partir de seus registros. "Por que será que as pessoas saem para viajar? É porque elas vêem coisas novas, em novos ângulos e diferentes pontos de vista. Esse tipo de fotografia é como se fosse uma viagem, eu levo essa possibilidade paras as pessoas através de uma peça de decoração, que também desperta emoções diferentes", declara.

Olicio Pelosi conta que entre um trabalho e outro, sempre há a possibilidade de criar belas fotografias. "Uma vez estava voltando para casa em uma rodovia, vi um ipê roxo, parei, fotografei e acabei vendendo um quadro com essa foto". Outro episódio que rendeu uma boa moldura foi durante as férias em família, que o fotógrafo captou uma gaivota passando em frente a uma paisagem de praia. "É sobre essa inquietude de sempre buscar boas imagens, sempre levo a câmera comigo", completa.

Exposição virtual

Para conferir os trabalhos de Erica Franzon e Olicio Pelosi basta visitar seus perfis no Instagram: @ericafranzon e @galeriaoliciopelosi ou @oliciopelosifotografo. Pessoalmente, é possível encontrar quadros de Franzon expostos e à venda através das redes sociais e na Casa Autoral, localizada na Avenida Nossa Senhora de Fátima, 11-53. Olicio vende suas obras através do Instagram e Facebook.

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