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Cultura

No papel de si mesma

Claudia Abreu está na série de suspense sobrenatural "Desalma" e fala sobre sua rotina em Lisboa

22/11/2020 - 05h00

Daryan Dornelles/Agência O Globo

Claudia Abreu: "Prefiro a vida simples: ir para o mato, tomar banho de cachoeira, ler meu livro na rede"

Emoldurada por uma parede azul, Cláudia Abreu reage à orientação do fotógrafo ("Fecha os olhos e viaja. Você é uma super atriz") e diz: "Rola timidez quando a gente é a gente. Não gosto de tirar foto". Ela reluta em ser a protagonista. No papel de si mesma, habilidosa, transfere os olhares da equipe para um caquizeiro plantado na esplanada do hotel onde foi realizado o ensaio fotográfico, em Lisboa. "Nunca vi um pé de caqui. Aquilo é fruta-do-conde?", aponta para outra árvore. "É uma magnólia", informa um funcionário.

"Na minha vida normal, quando preciso viver momentos de glamour é ótimo! Mas prefiro a vida simples."

No Rio ou em Lisboa, para ela, não existe vivência mais fabulosa do que ser mãe de quatro. Além de Maria, Cláudia e o marido são pais de Felipa, de 13, José Joaquim, de 10, e Pedro Henrique, de 9. Casada há 23 anos com o cineasta José Henrique Fonseca, com quem também tem uma produtora de audiovisual, a Zola Filmes, e lançou a série "Bom dia, Verônica", no Netflix, Cacau (para os íntimos) enxerga a relação com "normalidade". "No momento em que você está tomando um vinho, que poderia não ter a ver com trabalho, já se torna uma conversa interessante que vai desembocar numa troca criativa. E a melhor parte é que a gente tem muitos projetos juntos, seja na vida, na produtora, na construção de uma casa ou na aventura de passar uns meses aqui", enumera.

SEM ROMANTISMOS

Cláudia Abreu versão 5.0 não romantiza a idade. "Deus me live ser perfeita, eu seria insuportável", graceja. A nova cinquentona do pedaço diz ser compreensiva com os seus limites. "Eu estava melhor antes da quarentena."

Hoje, faz aulas de ginástica online e planeja voltar a praticar ioga e meditação. Vai ao dermatologista com frequência, faz tratamentos para tirar manchas, mas está fora de intervenções invasivas. "É bonito envelhecer com suavidade." Desde os 18 anos, não come carne vermelha e está tentando limar aves e peixes. Se rende, confessa, em ocasiões especiais, como um jantar japonês.

A cobrança, para ela, está em outro patamar. "Se você não está fazendo novela, as pessoas acham que não está fazendo nada. Muita gente cobra", reage Cláudia, que tem dois filmes por estrear, ainda sem data: "O silêncio na chuva", de Daniel Filho, e "Terapia da vingança" (nome provisório), de Marcos Berstein.

Ela está na série de suspense sobrenatural "Desalma", na Globoplay, em que divide o elenco com Cassia Kiss e Maria Ribeiro. Ambientada numa cidade fictícia inspirada numa colônia ucraniana, a trama é passada em flashbacks. Cláudia é Ignez, uma mulher que desaba de uma personalidade solar para atormentada a partir da morte de um parente.

Cláudia volta três vezes à pauta do Brasil "para se expressar com as palavras certas": "Sou a favor do bom senso. Se você se importa com cultura, educação, saúde, ciência, meio ambiente, direitos humanos, diversidade e diplomacia é impossível não se indignar". Entre as postagens na sua conta no Instagram, aborda questões como o Pantanal. Na balança de seu signo, equilibra a falta de pressa de voltar à sua casa no Leblon, no Rio, e a angústia de não parecer que está de costas para o Brasil.

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