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Cultura

Não tem cortejo, mas tem ‘Folia de Reis’

Ainda que sem o desfile dos Três Reis Magos pela feira da rua Gustavo Maciel e Feira do Rolo, grupo prepara material para manter viva a cultura folclórica

por Ana Beatriz Garcia

05/01/2021 - 05h00

Ana Lídia Aquino/Divulgação

Gravação deste ano tem nove artistas e conta a história da Folia de Reis e seus simbolismos

Uma das festas culturais mais ricas do folclore brasileiro, normalmente, acontece entre 1 e 6 de janeiro, quando as chamadas "companhias" vão de casa em casa cantar os seus versos acompanhados de violas, violões, sanfonas, pandeiros, triângulos, caixas e instrumentos de corda. Mas o ano de 2021 já começa com a herança do passado recente, com restrições relacionadas à Covid-19 que alteraram a tradicional "Folia de Reis", tornando-a virtual, em Bauru.

Por 18 anos, o guardião desta tradição, na cidade, foi o folião Antônio Correia, de 79 anos, idealizador do grupo "Folia do Divino", que realizava a festa no bairro Bauru 16. Nos últimos dois anos, pessoas engajadas com a Cultura na cidade e que atuam para promover ações independentes realizaram o cortejo dos Reis Magos pela feira da rua Gustavo Maciel e Feira do Rolo, no Centro de Bauru.

Por conta do cenário de pandemia que atravessamos, a alternativa para o grupo levar a "Folia de Reis" para mais pessoas foi pensar em outras plataformas. Contemplados pela Lei de Emergência Cultural "Aldir Blanc", conseguiram que parte do grupo gravasse a apresentação em um vídeo, que será publicado em primeira mão em data que ainda será estipulada pela Secretaria Municipal de Cultura.

"Já que não podemos fazer presencialmente, optamos por este caminho, até porque nem todos estão na Feira do Rolo quando passamos e, dessa forma, acabamos não atingindo nem divulgando a tradição para outras pessoas terem contato", afirma uma das organizadoras da iniciativa, Ana Lídia Aquino. "Estamos buscando o resgate desse festejo tão bonito e tradicional", completa.

SIMBOLISMO

A artista ainda salienta o desejo de disponibilizar o trabalho quão logo seja possível. "Está muito maravilhoso, contando toda a história da 'Folia de Reis' e todo seu simbolismo. Entre uma história e outra, também apresentamos quatro músicas", completa.

Este seria o terceiro cortejo da 'Folia de Reis' do grupo que, apesar de todas as limitações impostas pela Covid-19 para apresentar a "companhia" ao público, não desistiu de organizar o evento neste início de 2021. "Para nós, do coletivo 'Folia do Divino', é muito importante manter essa tradição louvando os reis do Oriente. A festa traz muita felicidade, alegria e muitas pessoas nos relataram como foi importante e bom ter participado da folia em 2020", comenta Ana Lídia.

GRAVAÇÃO

O grupo, iniciado por quatro amigos, chegou a realizar o evento com mais de 20 pessoas. Neste ano, a gravação foi realizada apenas com nove integrantes do coletivo. As imagens foram gravadas por Ana Lídia, que também fez fotos dos bastidores. "Captamos as imagens no meu ateliê, no quintal em casa, com uma montagem de tecidos de outras cenografias. Alguns dos figurinos foram reaproveitados dos anos anteriores. Foi tudo gravado em um dia e editado em outro", finaliza.

Um pouco da história

No dia 6 de janeiro é comemorado o Dia dos Três Reis Magos, ou da Folia de Reis. Diz a tradição que, quando os três Reis Magos, Gaspar, Melchior (ou Belchior) e Baltazar, viram a Estrela de Belém no céu, foram ao encontro de Jesus, que havia nascido. Ofereceram ao menino Jesus, como presente, ouro, incenso e mirra, que simbolizavam a realeza, a divindade e a imortalidade. Segundo a tradição, um era negro, o outro branco e o terceiro moreno, representando toda a humanidade. Trata-se de uma festa católica intimamente ligada à comemoração do Natal, originária na Espanha, que difundiu as celebrações pela Europa. De acordo com os registros, no Brasil, os festejos foram trazidos pelos colonos portugueses.

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