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Italiano filma 'Pinóquio' sombrio

Hollywood tem onda de releituras do boneco de madeira

por Leonardo Sanches

21/01/2021 - 05h00

Divulgação

Pinóquio de Matteo Garrone é inspirado nas histórias que a mãe dele contava

Que criança nunca ouviu que seu nariz cresceria caso ela contasse mentiras? A advertência, é claro, vem da história de Pinóquio, o boneco de madeira que queria ser um menino de verdade. Ela sozinha já seria prova suficiente de que "As Aventuras de Pinóquio", do italiano Carlo Collodi, é um livro atemporal, que vem encantando várias gerações desde 1883.

Mas nos últimos anos uma onda de ostentosas adaptações para o cinema tem buscado reaver o apelo inesgotável da marionete. Ao todo, quatro versões cinematográficas da obra máxima de Collodi estiveram em desenvolvimento ao mesmo tempo. Elas engrossam a lista de cerca de 30 títulos que já beberam da fonte de "Pinóquio" no passado - de animações até "A.I. - Inteligência Artificial", de Steven Spielberg, que transformou o corpo amadeirado do boneco em lataria.

Desse novo quarteto de filmes, o que saiu na frente foi o de Matteo Garrone, que chega agora aos cinemas. "Pinóquio" é um projeto inspirado nas histórias que a mãe do cineasta contava a ele quando pequeno, como uma boa matrona italiana, e tem sido alardeado como uma versão mais respeitosa em relação ao original.

"Queria fazer uma adaptação que fosse pessoal e ao mesmo tempo fiel ao livro, porque, quando o li, há seis anos, percebi que estava cheio de surpresas e de coisas das quais não tinha memória." Isso porque, ele reconhece, muitos dos que sabem do boneco hoje nem chegaram a ler o material de origem. A obra acabou sendo eternizada muito por causa da animação de Walt Disney, com seu Pinóquio fofo e desajeitado.

Tanto que Garrone afirmou ao jornal britânico Telegraph, em agosto, que em sua versão queria fazer o oposto do que a Disney fez em 1940, num filme que foi "bonito, mas que traiu a história original de várias formas". Hoje ele prefere fugir do assunto, mas destaca a importância de ressaltar o contexto no qual "As Aventuras de Pinóquio" foi escrito.

"Eu queria fazer um Pinóquio muito italiano. Queria falar da Toscana, onde Collodi escreveu o livro. Isso não significa que meu filme é melhor, mas essa obra-prima é italiana e eu sou um diretor italiano." Sua visão para "Pinóquio", de fato, é mais italiana do que a da concorrência. Filmada na língua de Garrone, ela ganhou dublagem em inglês para o mercado internacional, mas com a voz de atores italianos falando com sotaque.

Hollywood

As próximas adaptações de "Pinóquio" vêm de Hollywood e prometem adotar uma liberdade artística maior. Uma delas, na verdade, parece ter se assustado com o cenário superpovoado por bonecos de madeira. Há anos rumores sustentavam que a Warner estaria desenvolvendo uma adaptação, com Robert Downey Jr. no elenco e Tim Burton na direção - mas, sem novidades, ela parece ter sido descartada. Outras duas grandes e caras adaptações, no entanto, seguem de pé. A primeira é um stop-motion de Guillermo Del Toro, que pretende envernizar o boneco de madeira com tons mais realistas e levar a trama à Itália fascista dos anos 1930. O chamariz é o elenco estrelado, com vozes de Cate Blanchett, Tilda Swinton, Christoph Waltz e Ewan McGregor. O filme deve chegar à Netflix ainda neste ano. Já a Disney, como tem feito com outros de seus clássicos animados, vai refilmar "Pinóquio" com atores de verdade. A direção vai ser de Robert Zemeckis, e Tom Hanks vai assumir o papel de Geppetto. Enquanto Del Toro e Zemeckis pretendem desprender suas releituras das páginas, Garrone quis preservar a essência de Collodi, apresentando uma miríade de personagens que outros filmes desprezaram, como uma simpática velhinha que é metade caracol.

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