Bauru e grande região

Cultura

A arte do cosplay pede passagem

Cosplayers de Bauru comentam sobre os preconceitos neste segmento e as dificuldades em serem reconhecidos como artistas

por Ana Beatriz Garcia

20/02/2021 - 03h00

Fotos: Divulgação

A personagem de League of Legends e principal cosplay de Thamiris é Xayah

Para quem não conhece nada sobre os apaixonados por cultura pop japonesa, animes, quadrinhos, games e super-heróis, pode ser difícil imaginar porque alguns deles simplesmente aparecem em eventos como se tivessem acabado de sair de dentro de um desenho animado japonês. O nome dado para esse ato de se "fantasiar" de um personagem é cosplay. Um termo em inglês formado pela junção das palavras costume (fantasia) e roleplay (brincadeira ou interpretação).

Apesar do preconceito que os cosplayers enfrentam, até pelo desconhecimento da prática, eles consideram um hobby, uma forma de diversão e uma expressão artística que deve ser valorizada. Isso é o que defende a bauruense Thamiris Sartori Alves, 24 anos, que há 7 anos conheceu o cosplay na Etec Rodrigues de Abreu, onde estudava no Ensino Médio. "Em Bauru, tinha acabado de começar a engajar alguns eventos de animes. Um deles foi na minha escola e eu era apaixonada por uma personagem. Não sabia nada sobre, mas quis tentar fazer e assim entrei para o cosplay com a personagem Sakura Haruno, da série de mangá Naruto, em 2014", conta.

Mesmo amando a personagem e a sensação de vestir suas roupas, Thamiris conta que ali percebeu que ser cosplayer implicaria em mais desafios do que ela imaginava. "Sou negra e tive uma resposta muito ruim da comunidade. As pessoas criticavam o fato de não me parecer com a personagem branca. Por fim, o cosplay acabou de me dando uma porta para combater o racismo, o machismo e a gordofobia", afirma a bauruense que é formada em design gráfico. "As pessoas têm muito preconceito tanto fora quanto dentro do movimento. Mas somos artistas e escolhemos nos expressar assim. É importante as pessoas valorizarem a expressão artística que existe neste universo geek", completa.

PERSONAGENS

Para escolher qual personagem dar vida, Thamiris conta que as escolhe por identificação, com exceção dos personagens Haru, Gorrin e Juno, de Beastars que visou o desafio de fazer algo mais distante. "Minha primeira foi a Sakura Haruno, quando recebi uma chuva de racismo, depois fiquei um tempo sem fazer e voltei com a Megurine Luka que é uma síntese de voz. Também fiz Hiyori, a Mercury de Salor Moon e a Xayah, que é quem mais se aproxima da minha personalidade, e faço em diversos universos", comenta a designer.

Já a também bauruense Jenifer Letícia Rodrigues Soares, de 21 anos, era apaixonada por esse mundo geek desde 2012, mas foi em 2018 que começou a participar de vários eventos e alguns encontros como cosplayer. "Hoje, faço cosplay de q uase todos os personagens do game League of Legends, Jinx e as skins, Miss Fortune, Soraka, Ahri, Kindred, Himiko Toga de Boku no Hero Academia, e alguns que ainda não cheguei a postar nas redes por falta de tempo", conta.

METAS

Segundo Jenifer, desde o começo, o objetivo era de se divertir e conhecer outras pessoas do movimento. "Porém, agora, pretendo focar em concursos e me profissionalizar mais. Uma das metas é ganhar o prêmio do Anime Friends e a Brasil Game Show (BGS), que são os meus eventos favoritos", afirma.

Thamiris já não objetiva os concursos, por hora, mas deseja servir de inspiração para que outras pessoas também se sintam representadas. "Quero que olhem para mim como cosplayer negra que faz os personagens que tem vontade e admiração. Muitas pessoas acham que o cosplayer tem que ser idêntico ao personagem, mas a ideia real é vestir o personagem sendo você mesmo, independentemente das suas características físicas. Todos são bem-vindos", finaliza.

Mais informações sobre o trabalho de Thamiris e Jenifer estão disponíveis no Instagram pelo @taaysartori e @jeni.cosplay, respectivamente.

 

'Temos potencial'

A cosplayer Thamiris Sartori, ainda, conta que Bauru perdeu muitos eventos deste tipo e o público teve de recorrer a feiras em São Paulo. "Gostaria que o segmento fosse mais divulgado e aproveitado na cidade. Temos esse potencial. Para quem adora a cultura geek, animes e mangás, são os eventos que veem os personagens vivos de tantas formas e cores. As pessoas querem tirar fotos comseus personagens favoritos e isso é muito legal", finaliza.

Ler matéria completa