Bauru

Cultura

Classe artística reage à unificação de editais e se prepara para manifestação

Fazedores de cultura se unem em favor de demandas do setor cultural em ato previsto para 14 e 16 de agosto; Tatiana Sa comenta

por Ana Beatriz Garcia

04/08/2021 - 05h00

Ana Beatriz Garcia

Inscrição na parede lateral do Teatro Municipal de Bauru inspirou o nome da manifestação da classe artística

"Nossa luta tem sido muito sofrida. Estamos fazendo rifas, lives, contando com a ajuda uns dos outros, recebendo cestas básicas. É muita gente passando necessidade". Com essa frase, a cantora e compositora Cátia Machado reflete sobre a urgência com que a classe artística vem demandando ações do Poder Público. Ela é uma das organizadoras do ato "Silêncio, a Cultura dorme", preparado por um grupo de mais de 60 fazedores de cultura de Bauru. Eles se organizam para sair às ruas, em manifestação, nos próximos dias 14 e 16 de agosto (leia mais abaixo).

Conforme o JC Cultura noticiou, a Secretaria Municipal de Cultura informou que unificará os seis editais previstos em um de R$ 200 mil a ser realizado neste segundo semestre. Nas redes sociais, os artistas repercutiram e demonstraram insatisfação diante a decisão, nesta terça-feira (3).

"Estamos em uma gestão que vai para o seu oitavo mês sem edital, sem chamamento e sendo a pasta com o maior corte de verbas. Tínhamos uma verba de R$ 2 milhões para investimentos em editais e projetos culturais. Deste montante, este ano já houve o corte de R$ 1,4 milhão. Disponibilizar R$ 200 mil para a quantidade de artistas da cidade que precisam ser contemplados? Não estão nos dando nada. Inclusive, estão reduzindo, e muito, o que era feito", afirma Cátia Machado, que também compõe o Conselho Municipal de Política Pública Cultural - Gestão 2021/2023, ainda não empossado. "O conselho aguarda, ansiosamente, a nomeação e a posse para que possamos atuar de forma mais efetiva e se manifestar oficialmente", completa Cátia Machado.

A cantora ainda destaca que a classe artística não está interessada em retirar verbas de outras pastas, mas deseja que os trabalhadores da cultura não estejam nas filas da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) para o recebimento de doações de cestas básicas. "Queremos que eles recebam por serviços prestados para a cultura. Muitos buscaram outros serviços, mas essa não é a melhor atuação do artista. A gente entende que uma sociedade precisa de arte. E nós não fazemos arte para a gente, fazemos para o povo, para que possamos nos conectar e para que levemos pelo menos alento, em meio a este momento", diz.

OUTRO LADO

A secretária municipal de Cultura, Tatiana Sa, explica que ainda não houve posse do Conselho Municipal de Política Pública Cultural por conta de uma remodelação. "A cadeira da Oficina Glauco Pinto de Moraes deveria ter sido retirada no mandato passado do conselho, mas isso não foi revisado e nos foi cobrado o representante pela Secretaria de Negócios Jurídicos. Isso foi justificado, retornou para eles e estamos aguardando para a posse do conselho", afirma.

A respeito do valor disponibilizado pelo edital, quem respondeu foi Caroline Ferreira da Silva, diretora do Departamento de Ação Cultural. "Esse valor é a soma dos editais que já estavam previstos para o primeiro semestre. Para o edital 'Culturas Remotas', a quantidade de artistas contemplados dependerá das propostas apresentadas", diz. Ainda de acordo com a diretora, além do "Culturas Remotas", o Programa de Estímulo a Cultura (PEC) e o Fepac estão mantidos para o segundo semestre.

A diretora ainda salienta que mais 50 servidores da Secretaria de Cultura foram mobilizados para a elaboração dos editais e Tatiana Sa destaca que a pasta se mantém ativa em suas frentes de trabalho. "Nós não estamos parados. Nossa única não atuação, que assumimos, é a não realização do edital. Mas se olharmos as nossas redes sociais, em todos os meses, nós temos diversas ações", diz. "O slogan da manifestação diz que a 'Cultura dorme'. Nós entendemos que é preciso a movimentação e nós respeitamos. Enquanto eles estão se movimentando, nós também estamos nos movimentando. A Cultura não dorme nem do lado lá nem do lado de cá. Estamos bem acordados, esperando a pandemia passar e trabalhando bastante", finaliza a secretária.

'Silêncio, a Cultura dorme'

Uma inscrição deixada na parede lateral do Teatro Municipal de Bauru instigou um grupo de artistas. "Silêncio, a Cultura dorme" acabou se tornando o nome do ato que será realizado nos próximos dias 14 e 16 de agosto, organizado por mais de 60 fazedores de cultura da cidade. No sábado (14), a concentração será 13h, na quadra 5 do Calçadão da Batista. Já na segunda-feira (16), o ato começará às 10h, em frente ao Teatro Municipal, na avenida Nações Unidas, quadra 8. "A classe artística, em geral, não atuava em conjunto. Mas percebemos que precisávamos nos unir e fazer essa luta em nome de todos e de todo o público que nos segue e que merece cultura e arte neste momento", diz Cátia Machado.

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