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Jorge Du Peixe lança tributo a Luiz Gonzaga

Álbum tem 11 faixas compostas e cantadas por Gonzagão e parceiros

por Estadão Conteúdo

14/10/2021 - 05h00

Em 1971, a gravadora RCA Victor lançou o LP O Canto Jovem de Luiz Gonzaga. Na capa, uma foto em que o rei do baião aparece sem seu chapéu de vaqueiro e sua capa de couro, em frente a um arranha-céu espelhado. Uma das faixas do álbum era uma regravação de Asa Branca, a toada que foi seu grande sucesso em 1947, com participação de seu filho, Luiz Gonzaga Jr., que despontava na naquele momento com um dos nomes do Movimento Artístico Universitário, o MAU. 

Era uma tentativa da gravadora de aproximar Gonzagão a uma geração que, após a era do rádio, na qual ele foi um dos destaques, havia se ligado na bossa nova, na MPB e na Tropicália - e, posteriormente, no pop/rock nordestino que traria Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho, entre outros. Essa mesma conexão aparece agora no álbum Baião Granfino, que o cantor e compositor Jorge Du Peixe, vocalista da banda pernambucana Nação Zumbi, acaba de lançar, em investida solo. Com 11 faixas compostas e cantadas por Gonzagão e parceiros, 20 músicos participantes, o álbum chega às plataformas digitais pelo selo Babel.

A ideia do tributo nasceu do encontro de Du Peixe com o produtor Fábio Pinczowski em 2017, quando o cantor participou do programa Clubversão, da HBO, cantando o clássico Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá/Antônio Maria) na companhia do baterista Wilson das Neves (1936-2017).

A intenção de ambos - Pinczowski assina a produção musical do álbum - era pegar a célula harmônica do baião de Gonzaga e usá-la em diferentes variações, sobretudo contemporâneas. Assim, Qui Nem Jiló, por exemplo, parceria de Gonzaga e Teixeira de 1950, ganhou uma versão african pop com uma pegada também de hip hop, na definição de Du Peixe.

Dentro do ambiente em que a Nação e Du Peixe se criaram, está Rei Bantu, composição assinada por Luiz Gonzaga e Zé Dantas lançada em 1950. Na criação de Du Peixe, Rei Bantu ainda ganhou toques de maxixe. Os músicos Pupillo (bateria, ex- Nação), Mestrinho (sanfona), Swami Jr (violão) e Carlos Malta (pífanos) participam da faixa.

Para Du Peixe, Gonzaga é "familiar". Além da música, sempre presente em sua infância e adolescência, ele lembra de uma cena que lhe marcou: a comoção das pessoas quando o corpo do artista chegou ao aeroporto de Recife - Du Peixe era funcionário da extinta companhia aérea Vasp - para depois ser transportado para Exu, onde foi enterrado.

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