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Economia & Negócios

Material escolar exige rigor dos pais e pode ser 'lição financeira' a crianças

Consumidores negociam com os seus filhos antes ou durante as compras para garantir gasto compatível ao bolso; especialista dá dicas

por Ana Beatriz Garcia

04/01/2019 - 07h00

Malavolta Jr.
Gerente Nilo Sérgio Alves Jr. fala da importância de se antecipar

O ano mal começou, mas quem tem filhos em idade escolar já está de olho em um dos maiores gastos deste período: a compra do material para o ano letivo. Neste momento, os pais precisam demonstrar "jogo de cintura" e, inclusive, podem aproveitar para trabalhar a educação financeira das crianças e adolescentes.

Acostumada a não levar seus três filhos para comprar o material escolar, Kelly Danila Domingues Goes, de 38 anos, fugiu da regra neste ano. Acompanhada de Gabriel, 14 anos, Melissa, 12, e Gustavo, 10, na Jalovi Altos da Cidade na tarde dessa quinta-feira (3), ela acredita que o momento seja oportuno para conversar com eles sobre os limites dos gastos.

"Minha menina é mais vaidosa com a escolha do material dela, mas os meninos entendem mais e fica um pouco mais fácil de adquirir materiais mais baratos. Eles vieram hoje comigo, porque ainda estou pesquisando os preços e eles estão acompanhando todos esse processo", comenta, enquanto conferia alguns itens com os filhos.

Lembrando que, para quem deixa para a última hora, as escolhas e as condições de compra podem ficar mais apertadas. "Nós costumamos fazer promoções com alguns produtos com novas coleções. Esse é um momento em que os pais podem aproveitar para pesquisar sobre isso. Trazer os filhos para a compra tem um ponto positivo, porque motiva o aluno a estudar. Porém, os pais que trazem acabam tendo que negociar mais com eles sobre as escolhas. Para fazer uma compra bem estudada, o ideal é a antecipação, para não fazer nada de última hora", afirma o gerente da papelaria Nilo Sérgio Alves Junior, que já confirma o intenso movimento na loja.

Em relação às tendências de compra, ele comenta que ilustrações como lhamas, frutas e unicórnios estão em alta. "As meninas gostam bastante de comprar os itens combinando na mesma temática. A boneca Lol está na moda e os Avengers também", destaca.

DIAGNÓSTICO

Para o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, o momento é uma ótima oportunidade de iniciar a educação financeira. "É importante essa consciência não só para as crianças, mas aos pais também. O primeiro passo é realizar um diagnóstico da vida financeira da família, para saber exatamente quais são os ganhos e gastos mensais e quanto poderá dispor para a aquisição do material escolar", orienta.

A maior dúvida é como economizar sem ter de abrir mão dos itens que as crianças necessitam (ou querem!). Para Domingos, a recomendação é que as pessoas pensem o quanto precisam trabalhar para conseguir o seu salário. "A partir daí, fica fácil valorizar esse dinheiro, aprendendo a pesquisar preço e, principalmente, a negociar os valores das compras".

"Algumas escolas começaram com aulas de educação financeira para crianças ainda muito pequenas. É possível educar uma criança a comprar com critérios sem ao menos serem alfabetizadas. Um argumento fortíssimo é instigar os sonhos dela, como uma viagem ou um brinquedo que poderá ser adquirido com a economia de outras compras", destaca Domingos.

Ainda segundo o especialista, comprar materiais escolares requer cuidados, mas o investimento vale à pena, pois é o que dará a base necessária para os estudos. "Preocupar-se em economizar sem deixar de proporcionar o que a família precisa faz parte da educação financeira. Passe esses ensinamentos aos pequenos, pois, se aprenderem agora, se tornarão adultos mais conscientes e saudáveis financeiramente", diz.

SEM OS FILHOS

Seguindo a indicação de muitos consultores financeiros, Fábio Veloso Alexandrino, 44 anos, foi às compras apenas com a esposa Camila Cazeri Alexandrino. "Nós temos gêmeas de 4 anos. Se elas estivessem aqui, estaria sendo bastante complicado escolher e se concentrar nas compras. Só hoje, fomos a sete lojas para comparar os preços. Isso não seria possível com elas. Mas, elas escolhem mais ou menos o que querem e a gente tenta escolher algo que elas gostem e não pese muito no bolso", afirma.

Malavolta Jr.
O casal Diego Reghini Assêncio e Janaina Meneghesso Assêncio com a vendedora Giovana Fogaça

Com um filho de 1 ano e meio, Diego Reghine Assêncio, 36 anos, também escolheu ir à papelaria apenas ao lado da mulher Janaina Meneghesso Assêncio. "Ele ainda é pequeno, não tem muitas vontades, mas já estamos acostumando ele, vindo apenas nós para fazer essa compra. Ele gosta muito do Mickey, vamos pegar algo do personagem para agradar", finaliza.

Grupo arrecada mochilas usadas para doar

Vai adquirir novos materiais para seu filho? A época de comprar também é de ajudar ao próximo, doando materiais em boas condições e que não serão mais utilizados. Até o final do mês de fevereiro, o Esquadrão do Bem arrecada materiais escolares e bolsas ou mochilas que estão em boas condições de uso. Eles serão doados para famílias moradoras de seis comunidades carentes de Bauru: Jardim Europa, Parque das Nações, Ferradura Mirim, Parque Jaraguá, Jardim Vitória e Chácara das Flores.

Moradora do Jardim Vitória, Nataly Taina Ribeiro Nunes, de 11 anos, foi umas das crianças já beneficiadas pela ação. Aluna do 7.º ano do Ensino Fundamental de uma escola púbica de Bauru, ela foi contemplada, na semana passada, pelo primeiro lote de doações.

“Nem parece usada, ela (a mochila) é linda. Cuidarei com a minha vida. Guardo dentro de uma sacola para continuar limpinha”, comenta a garota, mostrando a bolsa para a mãe Solange Cristina Ribeiro, 31 anos.

SERVIÇO

O Esquadrão do Bem recebe as doações de materiais escolares. Contato: Maria Inês Faneco, rua Vereador Antonio Ferreira de Menezes, 1-87, Vila Falcão, (14) 99675-5495.

Aumento de 1,02% não supera a inflação acumulada, aponta a FGV

Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) mostrou que houve alta nos preços dos materiais escolares em comparação com o ano passado, mas que estes não superaram a inflação acumulada, medida pelo Índice de Preços do Consumidor (IPC). Entre janeiro e dezembro de 2018, os materiais escolares subiram em média 1,02%, enquanto a inflação acumulada pelo IPC-S chegou a 4,32%. Essa alta de preços não leva em conta a variação dos livros didáticos e não didáticos.

Apesar do resultado, os pais precisarão efetuar uma boa pesquisa de preços para economizar nas compras, já que existe grande diferença de preço entre lojas. De acordo com o estudo feito pelo economista do Ibre André Braz, os produtos e serviços que apresentaram alta, além dos materiais escolares, foram o transporte escolar (5,19%), livros didáticos (0,50%) e os livros não didáticos (0,46%).

"Ao longo de janeiro, alguns desses itens podem sofrer variação em função da procura, que se intensifica com o início do ano letivo. De todo modo, a variação ficou bem abaixo da inflação acumulada no período", explicou André Braz, coordenador do IPC do Ibre/FGV.