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Economia & Negócios

Agora, até famílias inteiras buscam ajuda por qualquer emprego fixo

Antes, o comum era que apenas um da casa ficasse desempregado, aponta Caritas; entidade atua, em parceria com a prefeitura, para mudar este quadro

por Marcele Tonelli

01/05/2019 - 07h00

Agência Brasil
É preciso estar com a carteira de trabalho atualizada para procurar por informações ou requerer o benefício, informam especialistas em aposentadoria

Malavolta Jr.
Carla Andrade, coordenadora da Caritas, diz que procura cresceu

Hoje é Dia do Trabalho, mas o tom não é de comemoração para muita gente. Desempregadas e em busca de uma renda fixa, famílias inteiras de Bauru têm procurado ajuda. Cenário diferente do que acontecia há aproximadamente cinco anos, quando o comum era apenas um membro da casa estar correndo atrás de um emprego. A realidade é sentida, por exemplo, pelo Programa de Orientação e Acesso à Documentação e ao Trabalho (Proat) da Caritas Bauru, entidade assistencial ligada à Igreja Católica e que possui parceria com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) para auxiliar na inserção e recolocação de pessoas de baixa renda no mercado de trabalho.

Até 2014, 80% dos que buscavam ajuda para arrumar emprego na Caritas eram mulheres, entre 18 e 35 anos, com baixo grau de escolaridade e com filhos menores de 10 anos. "Hoje, temos um público misto formado 51% por mulheres, entre os 16 e 70 anos, e o resto por homens. São famílias inteiras de desempregados que têm nos procurado em busca de uma renda mensal fixa, independentemente da área de atuação", cita Carla Andrade, coordenadora da Caritas.

SENTINDO NA PELE

Na casa de Dorca Pedroso, 52 anos, o emprego fixo virou "artigo de luxo". Há dois anos, ela, o marido, um pintor de 50 anos, e três filhos, de 28, 19 e 18 anos buscam vagas fixas no mercado de trabalho.

A situação piorou depois que a família viu o movimento de seu trailer de lanches cair. A casa tem sido sustentada por meio de "bicos" que eles conseguem e com o salário da filha de 22 anos, que trabalha em um supermercado. "Mandamos currículos para todos os cantos da cidade, mas nada acontece depois das entrevistas. E olha que meus filhos têm Ensino Médio completo e se mostram dispostos a trabalhar em qualquer área por um salário fixo", conta Dorca.

ATÉ COM MESTRADO

Outro público que também tem procurado a Caritas, em menor escala, mas de forma inédita, é formado por pessoas com diploma de Nível Superior.

"São psicólogos, administradores, terapeutas ocupacionais, advogados e publicitários formados recentemente ou demitidos depois de anos de atuação. Atendemos pessoas até com nível de mestrado e que relataram certa vergonha em procurar o Cras (Centro de Referência em Assistência Social), mas que estão em desespero e precisam trabalhar", revela a coordenadora da entidade.

AUMENTO

Além da mudança de perfil dos atendidos, a Caritas registra ainda aumento da demanda. Nos primeiros três meses deste ano, 1.867 pessoas passaram pelas oficinas do Proat. O número é 94% maior que o atendido em 2014, quando 964 procuraram ajuda para conseguir um emprego.

A entidade possui parceria com empresas e oferece oficinas que ocorrem, uma vez por semana, em cada uma das 8 unidades do Cras, também porta de entrada para o serviço. Lá, os participantes recebem orientações sobre o como se portar em entrevistas de emprego, além de dicas de comunicação, aulas de autoconhecimento e palestras de temas voltados ao mercado (leia mais abaixo).

"Realizamos, in loco, um diagnóstico do trabalho. Visitamos empresas para entender quais os profissionais que elas estão buscando e que cursos seriam necessários. Estas informações nos ajudam nas oficinas e são repassadas para o programa de geração de renda do município", observa Carla Andrade.

DIFICULDADES

A meta da Caritas é inserir no mercado 30% do total de atendidos, mas há dificuldade pelo baixo grau de escolaridade e falta de conhecimento sobre informática. "Alguns participam de quatro oficinas e já conseguem. Outros chegam a levar mais de um ano", cita.

Há também os que simplesmente desistem de tentar. "Muitos nos relatam que não conseguem mais aprender, que não têm mais paciência. Reclamam que trabalharam a vida toda sem escolaridade e que, agora, é exigência", acrescenta Carla.

Em todo o País, 13,4 milhões estão em busca de emprego

Dados divulgados, nessa terça-feira (30), pelo IBGE apontam que, no primeiro trimestre deste ano, mais de 1,2 milhão de pessoas entraram para a população desocupada no País. Com isso, o total à procura de emprego em território nacional alcançou 13,4 milhões. A taxa de desocupação subiu para 12,7%, mas ainda é inferior aos 13,1% atingidos no primeiro trimestre do ano passado.

As maiores quedas, segundo os dados, foram no setor da administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com menos 332 mil pessoas, seguido por construção, com perda de 228 mil pessoas. Os outros setores ficaram estáveis.

Palestras gratuitas a desempregados

Promovidas pela Caritas, as palestras "Desenvolvimento de atitudes pautados na autorresponsabilidade" e "Marketing pessoal. Você contrataria um funcionário como você?" ocorrerão na próxima sexta-feira (3), a partir das 9h, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Bauru. O objetivo do evento é ajudar, gratuitamente, quem está em busca de emprego.

Presidente da Caritas em Bauru, Wilsemary Losilla explica que a ideia é fazer uma iniciativa do tipo a cada 30 dias, não somente neste Mês do Trabalho. "No futuro, pretendemos até tornar a iniciativa profissionalizante, com a oferta de cursos", adianta.

Desta vez, os palestrantes serão os voluntários Gisele Souza (consultora de Gestão de Pessoas) e Wilian Estevam Custódio (analista de Marketing).

SERVIÇO

As palestras ocorrerão nesta sexta, dia 3, a partir das 9h, na Paróquia Santa Rita de Cássia, que fica na rua São Gonçalo, 3-2, em Bauru. Inscrições: (14) 3227-4322 (até as 16h30 de 2 de maio) ou [email protected] (até as 22h de 2 de maio).

Para quem quiser saber um pouco mais sobre a Caritas, basta entrar em contato através do (14) 3223-6576, https://www.caritasbauru.org.br ou Caritas Bauru (Facebook).

Você sabia?

A origem do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 nos EUA. No dia 1 de maio daquele ano, em Chicago, milhares de trabalhadores foram às ruas protestar contra as más condições de trabalho. O fato culminou com uma greve geral e um grande conflito, inclusive com mortes. Para homenagear aqueles que perderam a vida, criou-se, em Paris, o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado sempre no dia 1 de maio de cada ano. No Brasil, a data se tornou oficial a partir de setembro de 1925, quando o então presidente Artur Bernardes criou um decreto específico para este dia.