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Economia & Negócios

IBGE: inflação desacelera em abril

Nos quatro primeiros meses, inflação acumula 2,09%, a maior em três anos; IPCA segue pressionado por aumentos nos preços de alimentos e combustíveis

por FolhaPress

12/05/2019 - 18h00

Ricardo Moraes/Reuters
A maior contribuição individual para a inflação do mês foi o preço da gasolina, que subiu 2,66%

Rio - A inflação brasileira desacelerou em abril, na comparação com março, mas permanece em níveis históricos altos, informou o IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,57% no mês passado, a maior variação para o período desde 2016. Nos quatro primeiros meses, a inflação acumula 2,09%, também a maior em três anos.

O IPCA de abril foi inferior ao 0,75% verificado em março, mas segue pressionado por aumentos nos preços de alimentos e combustíveis. No mês passado, pesaram ainda reajustes em itens de saúde, sobretudo remédios, cujos preços subiram 2,25%. Esses três grupos foram responsáveis por 90% da inflação de abril, segundo o IBGE. Para o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, é um sinal de que os índices ainda não são pressionados pela demanda.

A maior contribuição individual para a inflação do mês foi o preço da gasolina, que subiu 2,66%. Em abril, a Petrobras aumentou três vezes o valor de venda do combustível em suas refinarias. "O preço do petróleo continua bastante pressionado, apesar do arrefecimento recente. E não há garantias de que ele não volte a subir", diz Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG.

O barril negociado no exterior apresenta trajetória consistente de preços crescentes desde o final do ano passado - a alta acumulada neste ano é de cerca de 30%. Além disso, grandes produtores, como Venezuela e Irã, passam por períodos turbulentos, o que pode restringir a oferta no mercado internacional. O segundo maior impacto na inflação de abril foi o tomate, que teve alta de 28,64%.

O início do ano costuma ser marcado pela alta no preço dos alimentos, já que o período chuvoso não é favorável para "lavouras curtas", como de frutas, verduras e tubérculos.

Embora tenha permanecido em patamar alto em abril (0,63%), alimentos e bebidas desaceleraram em relação a meses anteriores (em março, haviam aumentado o dobro, 1,37%), com o recuo no feijão, um dos vilões do início do 2019. Com os aumentos de gasolina, remédios e ônibus urbanos (cujas passagens subiram 0,74% em abril), a inflação dos preços monitorados foi quase o dobro da inflação geral, fechando o mês em 1,03%.

Apesar de o IPCA de abril, assim como o de março e de fevereiro, registrar nível acima de médias mensais anteriores, analistas não veem, até o momento, riscos de pressão inflacionária para 2019, sobretudo em um contexto econômico fraco e de desemprego alto.

Mas quem olha para o IPCA acumulado em 12 meses pode levar um susto. Até abril, está em 4,94%, o maior índice desde janeiro de 2017 e acima do centro da meta do governo para o ano, de 4,25%. Há, no entanto, uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.