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Economia & Negócios

Antes de pedir reajuste salarial

A maioria dos brasileiros empregados (56%) se diz insatisfeita com seu salário, segundo levantamento de 2017 do Instituto Locomotiva

08/09/2019 - 06h00

Pixabay

Pesquisa aponta que 84% das pessoas que pedem aumento têm sucesso

Há quem reclame do desemprego - especificamente uma massa de 11,8% dos brasileiros, ou 28,1 milhões de pessoas, segundo dados divulgados no último dia 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da falta de vaga, cresce o mercado informal no País, de gente que não encontra posição com carteira assinada, e os salários caem, dado o volume de profissionais no mercado.

A maioria dos brasileiros empregados (56%) se diz insatisfeita com seu salário, segundo levantamento de 2017 do Instituto Locomotiva, que também mostra que apenas 29% das pessoas tentam uma negociação de aumento salarial. Afinal, quem vai tentar um aumento em meio a esse panorama de vagas no País?

De acordo com a mesma pesquisa, porém, 84% das pessoas que pedem um aumento acabam tendo sucesso na negociação. São esses os dados que abrem o recém-lançado livro Pare de Ganhar Mal (ed. Sextante), em que o especialista em negociações estratégicas Breno Paquelet desenvolve uma manual para orientar quem precisa ter uma conversa sobre aumento e não sabe por onde começar.

Se o tema é tão importante, já que envolve diretamente a saúde financeira e a qualidade de vida, por que somos tão resistentes a abrir diálogo com a empresa? Receio de sermos vistos como gananciosos ou de sermos mal interpretados, colocando o emprego em risco, são alguns dos motivos, acredita Paquelet.

Há também nossa tendência inconsciente de permanecer na zona de conforto - ou "zona de inércia", como diz o autor. Neste caso, o salário continua igual, mas também não precisamos fazer esforços adicionais, assumindo novos compromissos e responsabilidades. A postura, aponta, é a inimiga número 1 de quem pleiteia um aumento - afinal, engajamento é um dos primeiros fatores que a empresa observa quando o assunto vem à tona.

"O momento certo de pedir um aumento é aquele que vem alinhado a uma boa performance", analisa Vanessa Lobato, vice-presidente de RH do Grupo Santander. "O profissional precisa saber cumprir ciclos, fazer entregas e finalizar projetos antes de partir para uma conversa", explica.

Irene Azevedo, diretora de transição de carreira e gestão da mudança para Brasil e América Latina da LHH, acrescenta que é preciso se preparar e falar de resultados concretos. "Aumento de salário está ligado ao desempenho do profissional", analisa. "A negociação implica em o colaborador mostrar seu desempenho e suas realizações face aos desafios."

Feita a autoanálise sobre o comprometimento com a empresa e resultados, é hora de o profissional agendar uma conversa. "Via de regra, o ideal é falar diretamente com o gestor, pois se outros forem abordados antes, ele pode se sentir desconsiderado e acabar se colocando contra o aumento", argumenta Paquelet.

"Se a relação com o líder não é das melhores, uma alternativa é pedir que o RH participe da conversa, como ouvinte ou mediador", acrescenta Hedilene Cardoso, professora de pós-graduação da Faap em Gestão de Pessoas. "Deve-se lembrar de que o líder direto deve ser sempre o principal ator no processo decisório."

A auxiliar administrativa Kleia Arouche, 31 anos, havia completado apenas um ano na PQA Produtos Químicos Aracruz quando decidiu pedir um aumento. "Procurei a pessoa que considero minha supervisora e ela passou para a gerente", relembra. "O primeiro passo é se perguntar: "Eu mereço um aumento?" Fazer uma autoavaliação é importante."

Já Leonardo da Gama, 23 anos, analista de testes em uma empresa de tecnologia do Rio, tomou a iniciativa quando trocou de setor e ficou com um salário abaixo da média do mercado. "Elaborei uma lista com fatores e tarefas pelas quais estava responsável para poder debater o aumento", relembra. "O pedido foi recebido com compreensão pelo meu chefe direto, que disse enxergar tudo o que eu tinha abordado, o que tornou as coisas mais simples."

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