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Economia & Negócios

Bom momento para quitar dívidas

Quem está com o nome sujo não deve enxergar o 13º salário como renda extra, mas como possibilidade de quitar dívidas

por Isabela Bolzani

01/12/2019 - 03h25

Agência Brasil

Economistas recomendam quitar dívidas antes de fazer novas compras

Às vésperas da época mais movimentada do orçamento familiar, consumidores com contas atrasadas podem renegociar dívidas e limpar o nome ante os birôs de crédito. Também é possível renegociar prazos maiores para quitar os pagamentos.

O dinheiro extra - a maioria recebeu a primeira parcela no último dia 30 -, segundo economistas, deve ser usado para colocar as contas em dia. Marcela Kawauti, economista, diz que o primeiro passo para fechar negócio é o consumidor saber qual dívida tem e quanto pode pagar. "Ele precisa entender sua própria situação financeira", afirma a economista.

Estudo do SPC Brasil de julho mostrou que 31% dos inadimplentes culpavam o desemprego pelo endividamento. Outros 20% disseram ter comprado sem checar o orçamento, 18% culparam a renda baixa e 12% disseram ter emprestado nome ou dinheiro para alguém.

"Desemprego e renda estão ligados à economia do País, mas a falta de controle orçamentária é algo preocupante. Isso nos faz imaginar que mesmo que haja uma recuperação econômica, a inadimplência pode continuar sendo um problema", diz Kawauti. O total de inadimplentes no País ultrapassa os 12 milhões.

Para o economista da Boa Vista, Flávio Calife, o primeiro ponto que o consumidor precisa atentar é que a renegociação de dívidas não exige intermediários. Segundo ele, o contato direto com o credor é mais fácil e, o mais importante, gratuito - intermediadores, normalmente, cobram um valor sobre o serviço prestado.

Outro ponto é ter o orçamento na ponta do lápis, para que os parâmetros da capacidade de pagar a dívida estejam visíveis e detalhados. "Uma renegociação malfeita normalmente leva o consumidor a ficar inadimplente de novo. Nossos números históricos apontam que 50% dos consumidores que deviam algum valor e conseguiram acertar as contas, voltaram a ficar inadimplentes em menos de um ano. Alguns, inclusive, em menos de três meses", pondera o economista.

Calife destaca, ainda, a importância de ter cuidado ao usar o dinheiro do 13º salário. "Se há dívidas em atraso, esse recurso têm o acerto de contas como destino. Muita gente considera o 13º como renda extra, mas é preciso ser consciente para que isso não atrapalhe ainda mais o orçamento", afirma.

Os especialistas defendem, ainda, a importância da implementação do cadastro positivo no sistema financeiro.

"Vemos um maior entendimento e interesse pelo assunto, mas há um bom trabalho de educação financeira que ainda vai levar de um a dois anos. As pessoas estão mais abertas, mas estamos em um processo inicial", diz Contini.

Entenda os cálculos

A segunda parcela do 13º salário precisa ser paga até o dia 20 de dezembro. Mas como é feito o cálculo? Na primeira parcela, paga obrigatoriamente até dia 30 de novembro de cada ano, não há descontos: o trabalhador recebe exatamente 50% do seu salário, caso esteja na empresa ao menos desde janeiro. Já sobre a segunda parcela haverá os descontos do INSS e do Imposto de Renda.

Para calcular o valor da última parcela, o trabalhador deve, primeiro, encontrar a parte devida à Previdência Social. O desconto do INSS varia de 8% a 11% sobre o salário, até o máximo de R$ 1.167,89, de acordo com a faixa de renda.

Ao fazer o desconto do INSS, o trabalhador encontrará o valor a ser usado como base de cálculo para o Imposto de Renda. As alíquotas do IR, disponíveis no site da Receita Federal - junto do valor da parcela a deduzir -, variam de 7,5% a 27,5%, dependendo da faixa salarial do trabalhador. Neste ano, quem ganha até R$ 1.903,98 está isento.

Com a alíquota do IR em mãos, o trabalhador deve aplicá-la na base de cálculo para o Imposto de Renda encontrada anteriormente e, na sequência, descontar do valor encontrado a parcela a deduzir.

Finalmente, para chegar ao montante da 2ª parcela do 13º, basta descontar do salário bruto a primeira parcela recebida do 13º, o INSS e o IR encontrados. Para quem tem dependentes, existe um passo adicional: da base de cálculo para o IR, subtraia R$ 189,59 por dependente.

Quem foi contratado ao longo do ano também terá direito à gratificação, mas ela será proporcional ao período trabalhado. Para chegar ao valor da primeira parcela, o trabalhador deve dividir seu salário bruto por 12 e, depois, multiplicar o resultado encontrado pelo número de meses em que trabalhou até outubro. Para encontrar a segunda parcela, será preciso fazer uma conta semelhante. Após dividir o salário por 12, multiplique o resultado pelo número de meses trabalhados até dezembro. Do valor encontrado, subtraia a 1ª parcela e chegará ao valor da 2ª parcela, que terá, ainda, os descontos do INSS e do IR.

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