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Economia & Negócios

Araújo: 'Medida dos EUA sobre aço não atrapalha relação com o Brasil'

Ministro das Relações Exteriores fala sobre decisão inesperada de Trump, que vai elevar tarifas de importação do produto

por FolhaPress

03/12/2019 - 06h00

Peter Nicholls/Reuters

Donald Trump e Melania chegam a Londres: ameaça ao aço pode ser para agradar eleitorado

Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta segunda-feira (2) que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciada no Twitter mais cedo, de elevar tarifas de importação do aço brasileiro não preocupa e não vai tirar o país do trilho de uma relação mais profunda.

"É uma relação muito dinâmica, existem várias coisas que nós já conseguimos que não tínhamos conseguido antes, acabou de ser aprovado aí o acordo de salvaguardas tecnológicas, que nós queríamos há 20 anos e não tínhamos conseguido justamente uma posição americana favorável, finalmente conseguimos", disse.

O tuíte de Donald Trump anunciando a retomada das tarifas sobre o aço e alumínio do Brasil e da Argentina caiu como uma bomba no governo brasileiro. O Planalto e o Itamaraty foram pegos de surpresa, e preparam agora argumentos para provar ao presidente americano que a desvalorização do real não é proposital.

A estratégia é fazer contatos com autoridades americanas e tentar reverter a medida de forma discreta. No momento, o governo brasileiro não planeja impor tarifas retaliatórias.

OUTROS CASOS

A grande maioria dos países que foram alvejados na guerra comercial de Trump retaliaram.

União Europeia, China, Turquia, Rússia e Índia, além de Canadá e México, que têm acordo comercial com o vizinho, impuseram tarifas contra produtos dos Estados Unidos em retaliação às sobretaxas impostas pelo governo Trump.

REVERSÃO

Alguns no governo argumentam que o tuíte de Trump ainda pode ser revertido, uma vez que a medida ainda não foi oficializada pelo USTr (Escritório de Comércio dos EUA).

Para Trump, a medida tem um claro contexto eleitoral. A guerra comercial contra a China vem causando prejuízos a agricultores de estados que serão essenciais na eleição de 2020. As exportações agrícolas dos EUA para a China em 2017, antes de iniciar a guerra comercial, foram de US$ 21,8 bilhões (ano fiscal).

REELEIÇÃO

Trump iniciou a guerra comercial ao impor tarifas sobre produtos chineses em julho de 2018. No ano fiscal de 2018, vendas de produtos agrícolas americanos para os chineses já caíram para US$ 16,2 bilhões e no ano fiscal de 2019, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, ficaram em US$ 10 bilhões.

De quebra, Trump ainda faz um aceno ao chamado Cinturão da Ferrugem, estados como Michigan, Ohio, Pensilvânia, que têm concentração de siderúrgicas e sofrem com a concorrência chinesa - e também são estados-pêndulo, que decidem eleições.

Nota oficial

O governo brasileiro divulgou nota em que diz que está "em contato com interlocutores em Washington" após ter tomado conhecimento da declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre intenção de sobretaxar o aço e o alumínio do Brasil. 

"O governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países", destaca a nota, assinada pelos Ministérios das Relações Exteriores, Economia e Agricultura

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