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Economia & Negócios

Economistas esperam queda de inflação

Especialistas projetam fim da alta da carne em 2020 e desaceleração no preço deve começar ainda neste trimestre

por FolhaPress

12/01/2020 - 06h00

Fotos Públicas

Carne está entre as prioridades da alimentação do brasileiro

São Paulo - Apesar de a inflação ter fechado 2019 ligeiramente acima do previsto pelo governo e por grande parte dos analistas do setor privado, a expectativa é que o índice de preços ao consumidor recue ao longo de 2020 e permita ao Banco Central manter a taxa básica de juros em níveis historicamente baixos.

Influenciado pela alta no preço da carne, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro ficou em 1,15%, o maior resultado para o mês desde 2002, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta (10).

Para janeiro, as projeções estão abaixo de 0,5%. Nos últimos 20 anos, o IPCA do primeiro mês do ano foi de 0,7%, em média.

RECUO

A economista do Itaú-Unibanco Julia Passabom diz que a tendência é que a carne bovina sofra deflação no primeiro trimestre de 2020, pois o preço do boi tem recuado no atacado em relação ao pico atingido no ano passado.

"Vamos observar uma desaceleração maior nesse componente, com alívio no começo do ano. O preço deve ficar alto um tempo, mas espero que devolva o choque", afirma Passabom

George Sales, professor de Finanças do Ibmec SP, também afirma que a inflação deve cair nesse início de ano e terminar 2020 abaixo de 4%.

Ele diz que a liberação do saque adicional do FGTS pode ter contribuído para um aumento da demanda no último mês do ano e para uma inflação mais alta, mas avalia que esse efeito não deve se manter ao longo do ano.

Para Sales, apesar da expectativa de queda do índice de preços, o Banco Central deverá parar de cortar os juros neste ano. Em relação à carne, afirmou que o preço tende a se estabilizar.

O professor de Macroeconomia da Faculdade Fipecafi Silvio Paixão afirma que a elevação da inflação em novembro e dezembro não está relacionada ao aumento da demanda interna e que, por isso, não há necessidade de o Banco Central subir os juros para conter a alta de preços.

"Mesmo que haja impacto na inflação decorrente dessa maior demanda externa [por carnes], não entendo que a política monetária venha a ser alterada. Não vejo o que aconteceu em novembro e dezembro como uma tendência."

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