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Economia & Negócios

'Doméstica não tem como ir à Disney'

'Com salário de R$ 1.200, mal dá para cesta básica', diz entidade que exeige desculpa formal do ministro Paulo Guedes

14/02/2020 - 06h00

Wilson Dias/Agência Brasil

Paulo Guedes: fala em seminário ainda repercute no País

Brasília - O presidente do Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, encaminhou nesta quinta-feira (13) uma carta ao ministro Paulo Guedes, da Economia, com um pedido para que ele se desculpe pelo que disse sobre essas profissionais durante discurso no dia anterior. 

"Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vamos importar menos, fazer substituição de importações, turismo. [Era] todo mundo indo para a Disneylândia, empregada domésti FolhaPress ca indo para a Disneylândia, uma festa danada", disse Guedes .

Para ele, além de demonstrar preconceito, a afirmação do ministro da Economia não encontra muita correspondência na realidade, considerando o salário médio desse tipo de ocupação.

"Eu até conheci empregados domésticos que foram para a Disney, mas como babás, mas foram para trabalhar. Particularmente, não conheci até hoje uma doméstica que tenha ido à Disney com salário que ganha. Se nem quem ganha R$ 5.000 está conseguindo", afirma.

O salário médio dos empregados domésticos, no quarto trimestre de 2019, ficou em R$ 904. Entre os que estão trabalhando com carteira assinada, a média é de R$ 1.267, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Nos três últimos meses do ano passado, ainda segundo o IBGE, 6,3 milhões de pessoas atuavam como trabalhadores domésticos. Desses, 72% estão na informalidade.

A federação também ressaltou a incompatibilidade entre o salário médio no emprego doméstico e o custo de uma viagem à Disney. "O salário mal dá para garantir uma cesta básica", diz Luiza.

'Pouquinho alto'

O presidente Bolsonaro também foi questionado sobre as declarações do ministro Paulo Guedes (Economia): "Pergunta para quem falou isso, eu respondo pelos meus atos", reagiu Bolsonaro.

Desde a indicação de Guedes para o ministério, o presidente afirma que não entende nada de economia e manda interlocutores perguntarem sobre o tema ao "Posto Ipiranga", apelido dado ao ministro. 

Ele, no entanto, reconheceu que como cidadão considera o valor atual do dólar "um pouquinho alto", mas ressaltou que não interfere em temas da economia.

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