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Economia & Negócios

Guedes: China deveria financiar plano para atingidos por Covid

Ministro reforça a controversa afirmação de que o país asiático é responsável pelo vírus

por FolhaPress

23/05/2020 - 05h54

Adriano Machado/Reuters

Ministro da Economia, Paulo Guedes

Brasília - O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou em reunião ministerial em 22 de abril que a China, país onde o surto do novo coronavírus teve início, deveria financiar um Plano Marshall para os que foram atingidos pela doença. "Plano Marshall, por exemplo, os EUA podem fazer um Plano Marshall para nos ajudar. A China [trecho suprimido] deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido", afirmou o ministro.

A declaração consta em vídeo gravado pelo Palácio do Planalto e liberado nesta sexta-feira (22). Ao defender que a China deveria financiar ajuda aos países atingidos, Guedes reforça a controversa afirmação feita por algumas autoridades de que o país asiático como responsável pelo surto do novo coronavírus que foi declarada pandemia em 11 de março pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Os chineses vêm sendo alvo de xenofobia em diversos pontos do mundo. Os primeiros casos do novo coronavírus foram registrados no fim de 2019 em Wuham, na China.

O governo Bolsonaro é fortemente alinhado com a política de Donald Trump, nos EUA, num momento em que o país norte-americano vive um clima de tensão com o gigante asiático, o que vem sendo classificado como uma nova "guerra fria".

Durante a mesma reunião, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, chegou a chamar a China de país não democrático. No último ano, o governo passou por crises diplomáticas com o país asiático depois que o ministro de Estado e um dos filhos do presidente publicaram mensagens ofensivas contra os chineses nas redes sociais.

Ainda na reunião de 22 de abril, Guedes disse que a China, principal parceiro econômico do Brasil, tem que ser "aguentada" por comprar nossos alimentos.

"A comida tá chegando. As exportações tão seguindo. A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pro cês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China", afirmou o ministro. Na gravação do encontro, é possível ver que Guedes é um dos ministros que mais falou durante a reunião.

Bolsonaro concedeu a palavra ao chefe da equipe econômica dizendo que ele era "o ministro mais importante nisso aí". O presidente se referia às discussões quando a medidas governamentais de combate à pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro tem defendido a reabertura do comércio afirmando que pior do que o impacto do vírus é o efeito econômico da crise. Por diversas vezes em sua fala, Guedes trata a classe política como adversária e critica os que estejam interessados em questões eleitorais.

Em resposta, Bolsonaro diz estar fora do pleito municipal inicialmente previsto para outubro desde ano, mas que deve ser adiado devido à pandemia.

Ao falar sobre arrumar as contas, Guedes diz que eram necessários três passos para destruir o que ele chama de "três torres dos inimigos": corte de gastos previdenciários, corte dos juros e congelamento dos salários do funcionalismo público.

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