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Economia & Negócios

'OMC precisa de uma reforma ágil'

Fala é do presidente da Organização Mundial do Comércio, brasileiro Roberto Azevêdo, ao se despedir da entidade

por FolhaPress

24/07/2020 - 05h00

Brasileiro deixa a entidade

Bruxelas - A reforma da OMC (Organização Mundial do Comércio) deve ser feita de forma ágil e progressiva, disse nesta quinta (23) o brasileiro Roberto Azevêdo, 62, em sua última entrevista como diretor-geral da entidade.

À frente da organização desde 2013, ele anunciou em maio que deixaria o cargo um ano antes do previsto, no próximo dia 31 de agosto. A decisão, segundo ele, visava permitir à organização discutir já com uma nova liderança os novos rumos que a OMC deve tomar em um cenário bastante alterado pela pandemia de coronavírus.

PASSOS CONSTANTES

"Não acredito que seja como um Big-Bang. Temos que ir incrementalmente, com passos constantes e seguros na direção correta, em vez de passar anos decidindo que reforma deve ser", afirmou Azevêdo, ao defender estruturas mais flexíveis de decisão.

"Nem sempre é preciso ter todos os 180 membros envolvidos, não precisamos forçar ninguém, mas temos que ter os mecanismos para levar adiante as negociações, e cada membro pode decidir entrar ou sair", disse ele.

MULTILATERAL

Formada em 1995, a OMC foi uma evolução do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) com o objetivo de fortalecer o sistema multilateral de comércio e diminuir as barreiras ao comércio e ao investimento, numa época em que a China era praticamente imperceptível no comércio internacional, liderado pelas relações entre Europa e Estados Unidos.

Desde então, suas regras passaram a ser desfiadas pela emergência geopolítica e comercial chinesa e por mudanças tecnológicas profundas na maneira de produzir, transportar, comercializar e financiar bens e serviços.

Em sua gestão, Azevêdo priorizou acordos como o de Facilitação do Comércio (2013), a redução de subsídios para produtos agrícolas.

Em seu balanço final, Azevêdo afirmou que tão importante quanto "o quê" foi conquistado é "como". "Fizemos tudo de forma transparente, sem acordos a portas fechadas. Todos o que recebi e tudo o que foi discutido foi comunicado", disse o diplomata, que atribuiu nota 12 (de uma escala de 1 a 10) à sua gestão.

"Atingimos tudo o que pudemos e não houve esforço desperdiçado", disse ele, afirmando que muitos avanços da OMC "escapam do radar". Ele citou avanços em áreas como comércio eletrônico, facilitação de investimento, pequenas e médias empresas e regulação doméstica de serviços. "Poderíamos ter feito mais? Certamente. Mas também não tenho dúvida de que poderia ter sido pior."

A organização que o diplomata brasileiro deixa a seu sucessor - há oito candidatos no processo de seleção, em andamento - está em um de seus momentos mais difíceis, com o principal tribunal de soluções de controvérsias paralisado pelos Estados Unidos, que bloquearam a nomeação de novos juízes.

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