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Economia & Negócios

Arrecadação federal cai 30% em junho

É a pior cifra para o mês nos últimos 16 anos: o tombo já desconta a inflação do período e era previsto por causa da crise

por FolhaPress

24/07/2020 - 05h00

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Receita: adiamento de pagamento de tributos contribuiu

Brasília - Ainda com impacto da crise econômica causada pelo coronavírus, a arrecadação federal caiu 29,59% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou o Ministério da Economia nesta quinta-feira (23). O tombo já desconta a inflação no período.

O resultado do mês, que ficou em R$ 86,25 bilhões, o pior para o mês dos últimos 16 anos, segue a tendência de baixa registrada em maio (- 32,92%) e abril (- 28,95%) na comparação com 2019.

Junho, portanto, foi quinto mês seguido de retração nas receitas, agravando o cenário de déficit das contas públicas em 2020 e indicando retração da atividade no fim do primeiro semestre.

Em relação a maio, junho apresentou alta de 11,13% nas receitas. "A melhora na arrecadação entre maio e junho se deu por conta do recolhimento do come-cotas, que é feito em junho e dezembro, e do pagamento do imposto de renda, que tinha sido prorrogado para 30 de junho", explicou o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias.

A maior diferença de arrecadação no semestre foi em combustíveis, com queda de mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Alimentação gerou 39,6% menos receitas para o governo e fabricação de veículos, 31,81%.

Em simulação da Receita, o adiamento do pagamento de tributos em razão da pandemia representou 58,4% da redução das receitas do governo em junho.

Outros fatores, como o tombo da atividade econômica, foram equivalentes a 34,9% e a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de operações de crédito zerada, 6,7%.

A simulação foi feita usando como base a arrecadação de 2019.

REAÇÃO

Como parte do discurso de que a economia começa a reagir, o governo chegou a divulgar que país registrou R$ 23,9 bilhões de vendas com notas fiscais eletrônicas em junho –alta de 10,3% em relação ao ano anterior.

Termômetro para o desempenho da atividade, a arrecadação federal, porém, continua apontando para uma deterioração da economia por causa da pandemia e medidas adotadas para socorrer empresas, como o adiamento de da cobrança de impostos.

O número divulgado pelo governo nesta quinta também considerou a arrecadação feita por outros órgãos da administração pública, mas o peso desses tributos geralmente é baixo e tem pouco efeito sobre o tombo.

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