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Economia & Negócios

Serviços precisam crescer 17% para ter nível pré-Covid, diz Secretaria de Política Econômica

por FolhaPress

10/09/2020 - 17h39

Divulgação

Prato especial servido em restaurante

Um estudo do Ministério da Economia afirma que o setor de serviços, principal empregador do país, ainda precisa crescer 17% para alcançar o nível anterior ao da pandemia. De acordo com a Secretaria de Política Econômica, a performance do setor não tem sido comparável ao desempenho visto em outros segmentos.

A pasta cita dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), para lembrar que, desde o fundo do poço observado em maio, a recuperação é de apenas 5%. "Ou seja, para retomar o nível anterior à pandemia, a PMS ainda terá que crescer 17%", diz a nota da secretaria.

O setor de serviços foi o mais afetado pela quarentena, segundo a secretaria, já que diversos segmentos como restaurantes e transportes foram severamente abalados pelas medidas de distanciamento social.

"No entanto, indicadores de alta frequência mostram que o setor segue sua trajetória de recuperação e as expectativas indicam que haverá um bom desempenho no último trimestre deste ano", afirma a pasta.

O setor de serviços é o maior empregador do país, responsável por 47% do estoque de postos formais do mercado de trabalho. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia) de julho de 2020.

Em seguida na lista de maiores empregadores estão comércio (24%), indústria (19%), construção (6%) e, por último, agricultura (4%).

Por outro lado, a secretaria ressalta dados da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE) para dizer que há uma recuperação em "V" em dados do Comércio, especificamente na venda de determinados bens no país como materiais de construção e eletrodomésticos.

O nível de móveis e eletrodomésticos, por exemplo, superou em mais de 26% o mesmo nível do ano passado. Resultados semelhantes, na análise da pasta, são verificados na venda de artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (13,4%) e de materiais de construção (22,7%).

As vendas de alimentos e em supermercados aumentou 9,9% em julho, quando comparada ao mesmo mês do de 2019.

A secretaria afirma que os dados positivos são explicados, em grande parte, pelas medidas criadas pelo governo para o enfrentamento da crise. Entre elas, estão o programa de manutenção do empregos e o auxílio emergencial.

Para a secretaria, dados como esse têm melhorado as projeções para uma recessão menor do que a projetada em 2020.

Mesmo assim, ainda há diferentes segmentos com vendas abaixo do ano passado, como vestuário e calçados. "É fato que a performance de alguns setores ainda está bem aquém do índice composto da PMC. O faturamento dos setores de tecido, vestuário e calçados, de veículos e de combustíveis estão abaixo do nível de julho de 2019", afirma a equipe.

"Contudo, as variações na margem, comparada às de junho deste ano, indicam que estes setores têm se recuperado. Os indicadores de alta frequência, como vendas em cartões, mostram que a recuperação continua para os meses do terceiro trimestre", diz o texto.

Também ganhou destaque na visão da secretaria os dados agrícolas. De acordo com o LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do IBGE), os dados de agosto mostram que a previsão da expansão da safra é de 4,2%, maior que a estimativa anterior (3,7%).

A secretaria conclui de forma geral que os indicadores de julho e agosto mostram recuperação gradual da atividade econômica, já com reversão de alguns impactos da pandemia na atividade econômica. Para a pasta, há necessidade de retomar a agenda de reformas e de compromisso fiscal.

"Reiteramos que o diagnóstico do baixo crescimento da economia brasileira é a baixa produtividade, que decorre da má alocação de recursos. Desse modo, o caminho que resulta em elevação do bem-estar dos brasileiros é adotar as medidas que busquem a correção da má-alocação por meio de incentivos à expansão do setor privado pelas vias de mercado", afirma a pasta.

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