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Economia & Negócios

Quem adotou Pix ainda aguarda consumidor

Modalidade ajuda empresário a antecipar crédito em conta, mas maioria ainda não sabe usar

por Marília Miragaia

06/12/2020 - 07h17

Danilo Verpa/Folhapress

Diego Jardim e seu sócio: empresa deles fez parte do período de teste

Os primeiros dias de uso do Pix, que entrou em operação no último dia 16 de novembro, vêm servindo para pequenos empresários entenderem seu funcionamento e as vantagens do novo sistema de pagamentos instantâneos. Até a última semana, existiam cerca de 2 milhões pessoas jurídicas com chave registrada no Pix, de acordo com o Banco Central. Como comparação, no País, existem em torno de 11 milhões de microempreendedores individuais.

Cristina Vieira, analista de serviços financeiros do Sebrae, espera uma adesão significativa dos pequenos negócios nos próximos meses. Segundo ela, uma das principais dúvidas dos empresários é se as tarifas praticadas serão realmente baixas.

"As empresas estão começando entender agora como é o Pix. Isso é normal com um novo meio de pagamento, porque ele é definido pelos nossos hábitos", diz Breno Santana Lobo, chefe de divisão no departamento de competição e estrutura do mercado financeiro do Banco Central.

Desde o primeiro dia de operação do Pix, na última segunda (16), uma lojas de malas de São Paulo começou a oferecer pagamento com leitura de QR Code – que o consumidor pode escanear usando o aplicativo da instituição em que tem conta. Outra funcionalidade permite que uma empresa com chave (apelido de identificação da conta) cadastrada realize e receba transferências em poucos segundos, a qualquer hora ou dia da semana.

"As pessoas perguntaram, tiveram curiosidade. Mas o consumidor ainda não entendeu bem como funciona", diz Roberto Alves dos Santos Junior, 39 anos, dono da empresa, que não havia feito nenhuma venda com Pix até o último dia 19 de novembro. 

Algumas estratégias, como oferecer brindes e descontos, podem ser usadas para estimular o consumidor a experimentar o meio de pagamento, diz Cristina Vieira, do Sebrae. Outra alternativa é adotar o desconto de forma rotineira: como o Pix permite que o dinheiro chegue à conta em poucos segundos, o empresário pode oferecer abatimento ao cliente que der preferência a esse meio, como já é feito no caso de pagamentos à vista.

"O empresário vai regular o uso de acordo com a situação do negócio. Se ele tiver um estoque alto, pode fazer uma promoção para pagamento com Pix. É uma forma de trabalhar esse recurso para ter caixa mais rápido", diz Ricardo Rocha, professor do MBA de gestão empresarial da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Uma empresa fabricante de produto que previne furos em pneus recebeu do banco gratuidade nas transações com Pix. Ainda não há previsão de quanto ela deve durar, diz Diego Jardim, 34, sócio. A marca, que tem escritório em São Paulo, foi escolhida para participar do período de testes de duas semanas feito pelo Banco Central.

Como a empresa não vende direto ao consumidor final, a função mais usada foi o envio de recursos com a chave Pix, em substituição a transferências e boletos. Essa opção foi usada em 30% das operações de pagamentos do mês, o que gerou uma economia de R$ 300, afirma Diego.

A ideia da empresa é expandir o uso à medida que parceiros aderirem ao Pix. "Fez muito sentido para a gente. É um dinheiro que pode amenizar outras contas. Mas, se a instituição mudar a política de preços, vamos estudar para ver se vale a pena."

Tarifas

As transações de empresas feitas por Pix estão sujeitas a tarifas, mas alguns bancos estão oferecendo isenções em um primeiro momento. Antes de passar a ser cobrado, o cliente precisa ser informado com 30 dias de antecedência. A recomendação para quem vai começar a usar a modalidade é pesquisar condições e comparar tarifas, inclusive nas instituições com as quais o empresário não tem relacionamento, diz Vieira. Cada uma pode definir o quanto vai cobrar. Mesmo assim, a expectativa é que as tarifas sejam competitivas, pelo alto grau de concorrência entre os participantes que podem oferecer o serviço, afirma Ricardo Rocha, professor do MBA de gestão empresarial da Fundação Instituto de Administração (FIA).

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