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Economia & Negócios

Dinheiro muda de mão devagar no País

É o que mostram as listas de bilionários e pesquisas sobre Single Family Offices no País

por FolhaPress

10/01/2021 - 05h00

Alan Marques/Folhapress

O empresário Jorge Paulo Lemann, do fundo 3G Capital

A roda da fortuna é a carta do tarô que representa os altos e baixos da vida e pode ser usada como analogia sobre como as grandes fortunas trocam de mãos ao longo da história à medida que a economia se transforma. No caso do Brasil, a roda gira muito lentamente. O economista Pedro Belisário, professor do Ise Business School, afirma que as famílias ricas no País, no geral, aumentam ainda mais o seu patrimônio ao longo dos anos.

Belisário ampara a afirmação em dados de pesquisas que realizou em 2018 e 2019 sobre Single Family Offices no País. Um family office é uma empresa que gerencia os investimentos e o patrimônio de uma família rica. O serviço chamado single é ainda mais exclusivo e voltado para famílias com grande patrimônio. "A impressão é que, de fato, o dinheiro não muda de mão", afirma Belisário.

A revista Forbes Brasil, que traz o ranking de bilionários nascidos no País, reforça essa percepção. Uma comparação entre a lista da primeira edição brasileira, de 2012, e a da edição mais recente, de 2020, sinaliza o enriquecimento da tradição. Quatro empresários permaneceram entre os dez mais ricos e elevaram o seu patrimônio no período. O banqueiro Joseph Safra, que morreu no início de dezembro de 2020, era o primeiro colocado ao final da década, com um patrimônio de R$ 119,08 bilhões. Em 2012, figurava na terceira posição, com R$ 25,97 bilhões.

O empresário Jorge Paulo Lemann, do fundo 3G Capital, que controla empresas como AB InBev e Americanas, é o segundo colocado nas duas listas. Em 2020, seu patrimônio foi registrado com R$ 91 bilhões, enquanto em 2012 era de R$ 29,30 bilhões.

Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, sócios de Lemann, também estão na duas listas. Em 2020, Telles estava em quarto, com patrimônio de R$ 54,08 bilhões, e Sicupira era quinto, com R$ 42,64 bilhões. Em 2012, estavam, respectivamente, em quinto (R$ 13,43 bilhões) e sétimo (R$ 11,87 bilhões).

Duas pessoas figuram como estreantes entre os top 10 em 2020. Na sexta colocação, Alexandre Behring, outro sócio de Lemann, Telles e Sicupira. Patrimônio: R$ 34,32 bilhões.

Em nono apareceu o empresário Ilson Mateus, dono do Grupo Mateus, rede de varejista das regiões Norte e Nordeste. Com patrimônio avaliado em R$ 20 bilhões, Mateus teve uma ascensão atípica entre seus pares. Começou como garimpeiro e virou história de sucesso quando levou sua empresa a uma histórica abertura de capital na Bolsa, em 2020.

Ainda estão entre os dez, na terceira colocação, o cofundador do Facebook Eduardo Saverin, com R$ 68,12 bilhões, depois que sua fortuna subiu 61% em relação ao ano anterior. A empresária Luiza Helena Trajano, principal acionista do Magazine Luiza, subiu 16 posições no ranking de bilionários, com patrimônio de R$ 24 bilhões, e se tornou a mulher mais rica do Brasil. Luiza e Mateus são vistos como sinais da mudança em um setor da economia. "De 2012 para cá, o varejo cresceu e se concentrou em algumas empresas. Isso tem a ver com a mudança de comportamento do consumidor", afirma Belisário, professor do Ise.

Os dois nomes restantes da lista de 2020 reafirmam o momento econômico brasileiro. O banqueiro André Esteves, na sétima colocação, com R$ 24,96 bilhões, cresceu com a procura por diversificação de investimentos. Em 2012, Esteves era o 11º, com R$ 6,24 bilhões. Por fim, o empresário Luciano Hang, da Havan, outro do setor de varejo, completa a lista. Ele ficou em décimo, com R$ 18,72 bilhões.

E em oitavo estava Norberto Odebrecht e família, com R$ 9,10 bilhões. O Grupo Odebrecht, rebatizado de Novonor, está em recuperação judicial, com dívidas estimadas em R$ 98,5 bilhões. Completam a lista de 2012 Roberto Irineu Marinho, da Rede Globo, em sexto lugar, com patrimônio de R$ 12,86 bilhões, que passou a 22º, com R$ 12,06 bilhões. E Abilio Diniz, na décima posição, com R$ 6,80 bilhões. Em 2020, Diniz foi o 21º colocado, com R$ 12,48 bilhões.

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