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Economia & Negócios

Com alta no preço dos combustíveis, artífice muda de casa para economizar

Antonio Borba de Siqueira, de 76 anos, optou por morar mais perto do seu trabalho e gastar menos na hora de abastecer

por Cinthia Milanez

11/04/2021 - 05h00

Malavolta Jr.

O artífice se mudou da Vila Independência para a Vila Santa Luzia, porque o bairro fica mais perto do seu trabalho, no Geisel

17 quilômetros separavam a casa do artífice Antonio Borba de Siqueira, de 76 anos, do seu local de trabalho, no Núcleo Geisel, em Bauru. A distância, com o etanol a quase R$ 4,00 o litro, resultava em um gasto mensal equivalente a R$ 350,00. Há cerca de 20 dias, o artífice tomou uma decisão drástica: ele se mudou da residência onde vivia, na Vila Independência, para outro imóvel, situado na Vila Santa Luzia, reduzindo a despesa neste sentido para R$ 120,00 por mês, menos da metade do que desembolsava antes.

O profissional relata, ainda, que costumava voltar para casa para almoçar e fazia, portanto, quatro viagens diárias de 17 quilômetros cada. De dois meses para cá, quando o município já vivenciava uma alta no preço do combustível, Siqueira passou a levar marmita na tentativa de economizar.

Mesmo assim, a despesa não reduziu tanto quanto ele esperava. "Há 40 dias, eu cheguei a pagar R$ 4,00 no litro do etanol. A partir daí, comecei a procurar outro imóvel e encontrei um na Santa Luzia, que fica a apenas cinco quilômetros da empresa onde trabalho", complementa.

De acordo com Siqueira, esta foi a pior alta no preço dos combustíveis que ele já vivenciou, porque, desta vez, não houve qualquer reajuste no seu salário. "Eu sou aposentado, mas ainda preciso trabalhar para bancar todas as contas", reforça.

EM NÚMEROS

Conforme levantamento feito junto ao endereço eletrônico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço da gasolina comum sofreu um aumento de 21%, em Bauru, de 1 de janeiro a 3 de abril deste ano.

Para se ter ideia, no primeiro mês de 2021, o valor médio era de R$ 4,206 o litro. Em fevereiro, o preço subiu para R$ 4,487 e, no mês seguinte, para R$ 5,10. Já na semana dos dias 28 de março e 3 de abril, a gasolina passou a custar R$ 5,093.

Em relação ao etanol, considerando o mesmo período dos dados envolvendo a gasolina comum, o aumento também ficou na casa dos 20%. Em janeiro, o preço médio era de R$ 2,920 o litro. Em fevereiro, o valor subiu para R$ 3,087 e, no mês seguinte, para R$ 3,733. Entre 28 de março e 3 de abril, o preço caiu para R$ 3,509.

Presidente da Associação dos Revendedores de Combustível de Bauru e Região (Ascomb), Edivaldo Tuschi acredita que, do início do ano para cá, houve um aumento de 20% a 30% no preço dos combustíveis na cidade.

POR QUÊ?

Para ele, no caso da gasolina, o fenômeno ocorre porque o petróleo, matéria-prima para a produção do combustível, é cotado em dólar. A moeda americana permanece em alta. 

Já o preço do etanol, segundo o presidente da Ascomb, subiu devido à enfressafra da cana-de-açúcar, base para a confecção do mesmo. "Paralelamente, existem os reajustes da Petrobras e do Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final, sendo que o primeiro costuma ocorrer de duas a três vezes ao mês e o segundo, quinzenalmente", explica.

Edivaldo Tuschi acredita que o preço do combustível só apresentará uma redução significativa se a economia brasileira voltar a funcionar, fazendo com que o dólar também caia.

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