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Em meio a embate com EUA, Huawei inaugura centro global de transparência cibernética na China

Fábio Faria, ministro das Comunicações, já visitou o local na primeira "missão 5G"

por FolhaPress

09/06/2021 - 17h56

Gonzalo Fuentes - Reuters

Empresa chinesa, maior fornecedora de equipamentos de tecnologia, sofre investida dos EUA, que pressionam aliados a excluí-la de suas redes

A gigante de telecomunicações Huawei inaugurou nesta quarta-feira (9) um centro global de transparência e segurança cibernética em Dongguan, onde fica sua sede na China, para criar um canal de diálogo com clientes, governos e reguladores. O anúncio ocorre poucos dias depois de o governo de Joe Biden intervir nos investimentos americanos em empresas de tecnologia chinesas como a Huawei.

O centro é o segundo desse tipo aberto pela companhia. A outra unidade fica em Bruxelas, na Bélgica. Apesar de o anúncio oficial ocorrer nesta quarta, algumas comitivas governamentais já visitaram o local, caso da equipe de Fábio Faria, ministro da Comunicações. Ele esteve em Dongguan em fevereiro na "missão 5G" do governo.

Nesta semana, o ministro está nos Estados Unidos visitando outras fornecedoras. A agenda também inclui visitas aos Departamentos de Estado, de Segurança Interna e de Defesa e à Diretoria de Inteligência e da Comissão Federal de Comunicações do país.

Sob pressão e na corrida global para fornecer equipamentos para a implantação da quinta geração de internet móvel, a Huawei decidiu apresentar a potenciais clientes todos os seus processos de segurança e privacidade nesse local.

Desde a gestão de Donald Trump, o governo americano acusa a empresa de espionagem e de entregar informações confidenciais ao governo chinês. A empresa sempre respondeu que a Casa Branca não apresentou provas para embasar a denúncia, que seria apenas uma proposta para isolar a Huawei no mercado de telecomunicação.

Segundo Marcelo Motta, chefe de cibsersegurança da companhia no Brasil, a inauguração do centro não é uma resposta direta à ofensiva americana, mas uma oportunidade para que governos realizem testes de equipamentos, tanto em softwares quando em hardwares, em meio ao que chama de ambiente geopolítico maluco.

"Pela primeira vez, compartilhamos um white paper com todas as nossas baselines [os parâmetros de segurança], que definem o que sai nos produtos da empresa", afirma. "A onda de acusações não nos impediu de continuar crescendo globalmente, e esse cuidado com segurança é reconhecido pelos clientes", disse em entrevista à reportagem. Segundo ele, a empresa é a única do setor que abre os códigos de seus softwares para a checagem de analistas independentes.

A visita de Fábio Faria à China à Huawei no início do ano exigiu respostas públicas do ministro aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que se opõem à gigante chinesa seguindo a linha de Donald Trump. Na época, Faria escreveu em uma rede social que a viagem foi para conhecer, "in loco, todas as tecnologias existentes no mundo". "O TCU fiscaliza e o PR Bolsonaro decide."

O Brasil terá uma rede privativa de 5G para a comunicação da administração federal, a ser construída pelas operadoras que vencerem o leilão, previsto para julho. A estimativa é que custe R$ 1 bilhão. A rede foi uma solução encontrada pelo ministro das Comunicações para convencer Bolsonaro a não barrar a Huawei das demais redes das operadoras.

Em março, entretanto, Faria afirmou que a chinesa não preenchia os requisitos para participar da rede privativa.

Motta, da Huawei, diz que "as regras para o plano de construção da rede privativa ainda não estão claramente definidas, portanto, não há um detalhamento dos requisitos que serão exigidos dos fornecedores". Ele acrescenta que a companhia "está pronta para fornecer as soluções em telecomunicações nos 170 países em que atua".

A Huawei não abre o investimento no centro de transparência, que tem cerca de 1.000 metros quadrados. Afirma que o espaço foi projetado para demonstrar soluções, facilitar a inovação conjunta e apoiar testes e verificações de segurança a reguladores, organizações de teste independentes, parceiros e fornecedores.

A empresa emprega 197 mil funcionários, sendo 3 mil na área de segurança cibernética. Em 2020, o investimento no setor foi de US$ 1 bilhão, 5% do que dedicou à pesquisa e desenvolvimento, de acordo com o executivo.

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