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Economia & Negócios

Bem-estar acima dos 40 anos motiva negócios

Especialmente se o foco são as mulheres dessa faixa etária que estão entrando na menopausa

por Estadão Conteúdo

12/09/2021 - 05h00

Pixabay

Levantamento da Sociedade Norte-Americana de Menopausa estima que até 2025 mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estarão na pós-menopausa

Em um País que teve um saldo de 2 milhões de empresas novas num ano de pandemia, segundo o Mapa de Empresas do governo federal, encontrar um nicho pouco explorado pode ser difícil. Se o público-alvo for mulher, acima dos 40 anos e estiver entrando na menopausa, no entanto, há duas notícias. A primeira: os números para esse mercado são promissores. Segunda: ele praticamente não existe e não tem concorrentes.

Um levantamento da Sociedade Norte-Americana de Menopausa estima que até 2025 mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estarão na pós-menopausa (o período a partir de um ano após o fim do último ciclo menstrual). Considerando que a expectativa de vida da mulher no Brasil é de 80 anos, segundo o IBGE, é esperado que essa etapa corresponda a um terço da vida.

De olho nesses números, as empreendedoras Marcia Cunha, 38 anos, e Carla Moussall, de 32, criaram a Plenapausa, empresa com foco em ajudar quem está passando pelo climatério (o que, popularmente, conhecemos como menopausa, mas a menopausa tecnicamente corresponde apenas ao dia da última menstruação). A empresa surgiu a partir de uma pivotagem, ou seja, uma mudança no rumo do negócio, após um programa de aceleração.

"15% da população feminina brasileira está nas fases de pré e pós-menopausa, entre 40 a 64 anos de idade. São 34 milhões de mulheres e possíveis clientes. No mercado, fala-se muito da questão da menstruação e da fertilidade, mas a menopausa não é o fim. Eu comecei a fazer pesquisas e fui percebendo como é latente a desinformação sobre o tema e ficou claro que a primeira coisa que a gente deveria fazer era gerá-la", conta Márcia.

No Brasil, nas pesquisas feitas pela Plenapausa, as empreendedoras ouviram cerca de 100 mulheres no climatério: 41% não conhecem os sintomas da menopausa e apenas 15% procuram tratamento médico. Com as descobertas, criaram um serviço freemium - que começa gratuito e, ao longo do tempo, passa a incorporar serviços pagos - no qual a pessoa responde um formulário e recebe uma avaliação com o estágio da menopausa em que se encontra, dicas para o dia-a-dia e indicações do que fazer.

Até o momento, a empresa é mantida com capital próprio - o que propicia a avaliação gratuita -, mas o plano é que, ao atingir 300 questionários preenchidos, haja o lançamento de um produto ou serviço ainda em desenvolvimento. Até então, já foram feitas 200 avaliações na plataforma.

De acordo com um estudo feito pela Female Founders Fund (fundo de investimento de capital semente para empresas criadas por mulheres), em 2020, as oportunidades para o mercado mundial da menopausa giram em torno de US$ 600 bilhões. Dos US$ 254 milhões investidos em tecnologia para a saúde da mulher nos últimos dez anos, apenas 5% foram destinados a tratamentos para a menopausa, sendo a maior parte empregada em saúde reprodutiva e fertilidade.

Enquanto o Brasil ainda começa a explorar esse mercado, fora do País já existem startups se consolidando no segmento. No começo do mês, a norte-americana Elektra Health, comunidade de serviços para pessoas em menopausa, levantou US$ 3,75 milhões em capital semente. Já a britânica Vira Health, criadora do aplicativo Stella, que funciona como um assistente de saúde para a menopausa, arrecadou £ 1,5 milhão.

Comunidades digitais

O estudo realizado pela Female Founders Fund em torno do mercado para a menopausa apontou que as maiores oportunidades para as empresas estão em produtos como cremes e suplementos, telemedicina e comunidades digitais para mulheres se conectarem. É justamente neste último que a No Pausa se estabeleceu há dois anos, no Brasil e na Argentina.

"O projeto nasceu de uma necessidade minha, quando, aos 48 anos, eu comecei a ter desequilíbrios na minha saúde e não conseguia ver de onde eles vinham, cada médico me falava uma coisa, até que fiz um exame de hormônios e veio o resultado: perimenopausa (período que antecede a menopausa). Eu não sabia sequer que existia isso. O nosso propósito é esse: não queremos que ninguém atravesse o climatério sem informação", conta Miriam de Paoli, de 51 anos.

Ao lado da argentina Milagros Kirpach, de 27 anos, ela criou a empresa que nasceu para compartilhar experiências e encontrar soluções de forma conjunta com outras pessoas. Entre os serviços oferecidos, o principal é a rede informativa com conteúdo gratuito para cerca de 80 mil membros.

"Não são só as mulheres que entram no climatério, qualquer pessoa que menstrua vai entrar, independentemente da sua identidade de gênero. Por isso, tentamos usar a linguagem inclusiva. Na nossa comunidade na Argentina, 1,2% é representada por um coletivo de pessoas transgênero", explica.

Em conjunto com a geração de conteúdo informativo gratuito, para ter faturamento as empreendedoras fazem workshops para governos, organizações da sociedade civil e empresas (como, por exemplo, consultoria para trabalhar o etarismo nas corporações) e apostam na cocriação de conteúdo com marcas.

Recentemente, elas fizeram parcerias com a Womanizer - marca alemã de vibradores - e com a Feel, sextech brasileira de lubrificantes. O faturamento consegue manter a empresa de pé desde o nono mês de criação.

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