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Economia & Negócios

Como ser seu próprio chefe e não misturar pessoa física com jurídica

Empreendedor individual precisa ter disciplina para fazer autogestão e manter rede de contatos

por Dante Ferrasoli

12/09/2021 - 05h00

Gabriel Cabral/Folhapress

Paola Poloni Cogo produz produz cinnamon rolls (bolinhos de canela)

Quem empreende sem funcionários e é seu próprio chefe precisa ter disciplina redobrada para gerir, ao mesmo tempo, tempo e dinheiro tanto da pessoa física quanto da jurídica. "É difícil fazer isso na prática, mas empresa e vida pessoal são duas caixinhas distintas. Cada uma deve ter seu tempo e seu dinheiro", diz Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo no Insper.

Paola Poloni Cogo, 35 anos, dona da Di Clô, empresa especializada em cinnamon rolls (rolinhos de canela), tem dificuldade de gerenciar o tempo. "Eu trabalho com gastronomia, vendo aos fins de semana. De quinta a domingo é quando há mais pedidos, então é difícil administrar isso. A gente chega atrasado aos eventos da família", diz.

Mas os problemas do empreendedor individual vão além da falta de tempo. Paola conta que já teve, por seis anos, um comércio de sapatos online e que não controlava bem a parte financeira. "Eu começava o processo e abandonava", diz. Agora ela afirma ter procurado ajuda profissional para aprender sobre marketing, autogestão e finanças.

Um outro ponto importante para quem é chefe de si mesmo, diz Nakagawa, é o networking. Mesmo sem colegas ou funcionários, o empreendedor precisa, de alguma forma, buscar uma rede de contatos.

Foi isso que ajudou Camila Tyrrell, 45 anos, dona da Tyrrell Desenvolvimento Humano, empresa de treinamento que trabalha em parceria com o RH de empresas, a seguir na ativa durante a pandemia. "Antes, eu nunca precisei fazer marketing. Meus serviços eram muito no boca a boca, e assim me conheciam", relembra a empresária, à frente da companhia há 12 anos.

Em tempos pré-pandêmicos, o foco era preparar líderes para se comunicar com seus funcionários, mas isso mudou com a crise. Camila ficou sem faturar nada durante seis meses e, então, aproveitou a proximidade com seus clientes para buscar soluções que funcionassem melhor em tempos de quarentena.

Uma delas foi fazer intervenções teatrais em reuniões de equipe. "Meus clientes me deram insights. Um deles disse que havia tantas reuniões remotas que as pessoas ficavam de saco cheio e não prestavam atenção, o que causava retrabalho." Daí a ideia das interrupções com performances, para prender a atenção dos ouvintes e tornar o ambiente menos monótono.

A rede de contatos a ajudou a recuperar parte do faturamento, hoje entre R$ 2.000 e R$ 3.000 por mês. Longe ainda dos cerca de R$ 15 mil de outrora, mas ela espera que, com o fim da pandemia, as cifras voltem a subir. "Eu também melhorei na parte financeira. Antes eu misturava pessoa jurídica e pessoa física, aí não sobrava para reinvestir. Como não havia tanta diferença entre meu faturamento e meu lucro, por ser um serviço intelectual, eu não olhava muito para isso."

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