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Economia & Negócios

Ômicron ameaça economia global

Para economistas, porém, impacto deve ser menor que o da primeira onda

por Estadão Conteúdo

05/12/2021 - 05h00

Fotos Públicas

Vacinação é a melhor arma contra a Covid e suas variantes

A economia global pode sofrer um golpe com a variante ômicron da Covid-19, dizem economistas. Os gastos com turismo provavelmente enfraquecerão, e talvez o mesmo ocorra com os gastos com restaurantes e com as compras nas lojas. Do lado da oferta, a nova variante poderia manter os trabalhadores em casa, restringindo ainda mais a capacidade das fábricas de fornecer produtos para atender à demanda, o que prejudicaria as redes globais de abastecimento e alimentaria uma inflação mais forte.

Vários economistas disseram que é muito cedo para dizer que efeito a variante teria sobre a redução gradual das compras de títulos e planos de taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed). Ainda assim, ela pode complicar as perspectivas de inflação e o plano do Fed de reduzir suas compras de ativos a partir deste mês.

No entanto, em comparação com a onda inicial de Covid-19, em março de 2020, e a variante Delta neste verão do Hemisfério Norte, a ameaça da ômicron para as economias provavelmente será menos severa, em parte porque cada nova cepa de vírus teve um impacto econômico reduzido.

As taxas de vacinação estão muito mais altas do que no início do ano, o que provavelmente reduzirá os riscos à saúde apresentados pela cepa. Os governos têm menos probabilidade de impor paralisações generalizadas do que no início da pandemia, dada a resistência política e as novas informações sobre quais medidas são mais eficazes para conter o vírus. "É necessário um boom em um boom", disse Diane Swonk, economista-chefe da empresa de consultoria e contabilidade Grant Thornton LLP. "Temos muito ímpeto e isso ajuda". 

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que os cuidados que a população deve tomar em relação a variante ômicron, que surgiu na África do Sul, são os mesmos de outras cepas da Covid que já circulam pelo mundo. "A principal arma que nós temos para enfrentar essa situação é a nossa campanha de imunização", destacou em uma live nas redes sociais.

A OMS classificou a nova cepa como "variante de preocupação", por causa do potencial risco de ser mais transmissível que as anteriores. Mesmo antes dessa avaliação, o grande número de mutações da variante gerou uma grande onda de atenção em vários países do mundo.

Viagem internacional: vale cancelar

O aumento de casos de Covid-19 nos EUA e na Europa e as incertezas da nova variante detectada na África do Sul reacenderam o alerta vermelho para viagens internacionais levando infectologistas a recomendarem o adiamento delas neste momento. Além da falta de dados sobre a potencialidade de transmissão da nova cepa, ômicron, entre os vacinados e não vacinados, os especialistas chamam atenção para o fato de que muitos países europeus que enfrentam aumento de casos estão com cobertura vacinal baixa. A média do continente é de 53%, mas há grande desigualdade regional. Por exemplo, a Irlanda tem 93% da população vacinada, enquanto a Bulgária, 29%. Outro indicador importante é a taxa de transmissão comunitária do coronavírus, que voltou a subir na Europa.  "O outono e o inverno levarão a locais fechados e ao aumento de possibilidade de contágio", afirma Lena Peres, intefectologista. O infectologista Leonardo Weismann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologista, também recomenda que, se possível, as pessoas adiem viagens internacionais programadas. "O pouco que se sabe sobre essa nova variante é bem preocupante. A ômicron parece ter uma altíssima taxa de transmissão. Além disso, não sabemos se ela pode modificar a evolução da doença, assim como ainda não temos o conhecimento se as vacinas existentes protegem contra ela. É preciso ter muita cautela." Já para a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas (SP), o adiamento é recomendável porque não será surpresa se os casos da nova variante se espalharem para vários países nas próximas semanas. Se isso acontecer, lembra a médica, novas medidas de restrição podem ser impostas, inclusive de fechamento de aeroportos. Na opinião do infectologista Esper Kallás, ainda que não haja nenhum indício de que a doença tenha mudado com a nova cepa ou que vacinas disponíveis possam falhar, é prudente evitar viagens aos locais que enfrentam aumento de transmissão.

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