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Economia & Negócios

Região de Bauru é a 4.ª maior produtora de etanol do Estado de SP, aponta Seade

Localização central no Estado, rede de rodovias e qualidade do solo são alguns fatores que favorecem posição de destaque

por Tisa Moraes

05/12/2021 - 05h00

Getty Images/iStockphoto

Sugar cane field. Panoramic photo of a sugar cane plantation with blue sky with clouds in Ribeirao Preto, Sao Paulo - Brazil

Localizada no Centro do Estado, servida de rodovias que garantem boa logística e com qualidade do solo favorável, a região de Bauru figura como a quarta maior produtora de etanol do Estado, atrás apenas de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Araçatuba. Segundo levantamento elaborado pela Fundação Seade com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região produz 17,3 mil metros cúbicos por dia do insumo, o que corresponde a 10% da capacidade paulista, de 169,4 mil m³/dia.

A região de Bauru é abrangida por 37 cidades, sendo que, destas, 11 são produtoras de etanol. Conforme o Seade, as usinas com maior capacidade regional são a Raízen de Barra Bonita, com 3,9 mil m³/dia (a empresa também tem unidades em Bocaina, Dois Córregos e Jaú); a Renuka de Promissão, com 2,5 mil m³/dia; e a Açucareira Quatá de Macatuba, com 1,8 mil m³/dia (outra unidade da empresa, com produção quase igual, está instalada em Lençóis Paulista).

"Toda esta área, de Ribeirão Preto até Presidente Prudente, tem uma produção sucroenergética muito forte, que vem se desenvolvendo há muitos anos, com crescimento mais acentuado a partir de 2003. Depois, Araçatuba e São José do Rio Preto também começaram a ganhar destaque", observa a analista da gerência de economia do Seade, Margarida Kalemkarian.

Segundo o estudo do Seade, a região de São José do Rio Preto produz 30,8 mil m³/dia; Ribeirão Preto, 24,4 mil m³/dia; e Araçatuba, 22,5 mil m³/dia. Muito em função destes quatro polos, o Estado concentra, hoje, 45% da produção de etanol no País, sendo que, das 360 usinas credenciadas na ANP, 149 estão em território paulista. O Estado, aliás, é líder nacional na produção de cana-de-açúcar, concentrando mais da metade da área plantada (5,5 milhões ha) e da quantidade colhida (425,6 milhões t). Os dados são de 2020.

COMPETITIVIDADE

Especialistas ouvidos pelo JC avaliam que a região de Bauru, assim como o Estado, continuará exercendo este protagonismo, porque as usinas paulistas perseguem, permanentemente, a meta de aumentar a produtividade, com investimento em tecnologia que garanta, também, maior sustentabilidade para seus negócios.

"Quando falamos de commodities agrícolas, que têm preços ditados pelo mercado, os processos precisam ser cada vez mais eficientes, baixando custos. E, por meio da tecnologia, da pesquisa, estas empresas estão tornando seus processos não só mais eficientes, mas também sustentáveis. Com as certificações ambientais que podem ser obtidas, se tornam mais competitivas, o que nos posiciona muito favoravelmente no mundo e nos dá certeza de um futuro ainda mais promissor", avalia Eduardo Vasconcellos Romão, presidente da Associação Mundial dos Produtores de Beterraba Açucareira e de Cana (WABCG) e da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana). De acordo com ele, os resultados nestes últimos anos só não foram melhores porque o setor tem sido impactado por secas prolongadas, o que derrubou a produção de cana-de-açúcar por safras consecutivas. Some-se a isso a demanda energética crescente neste pós-pandemia, o que elevou o preço do etanol, também pressionado pela alta da gasolina. "Faltou matéria-prima para gerar mais etanol. E quase tudo do que é produzido é consumido pelo mercado interno", completa. Para Kalemkarian, o Estado é o maior exportador brasileiro de etanol.

Por eficiência e sustentabilidade, setor é cada vez mais tecnológico

Malavolta Jr.

Arnaldo Jardim: com bagaço da cana, Interior produz energia equivalente à Itaipu

Tecnologias de ponta estão cada vez mais presentes dentro do campo, visando maior eficiência dos processos produtivos, ao mesmo tempo em que favorecem a adequação às demandas ambientais, assunto que, hoje, não se relaciona apenas à preservação da natureza, mas também à sobrevivência das próprias empresas.

Segundo especialistas ouvidos pelo JC, a partir do RenovaBio, que incluiu a Política de Biocombustíveis na Política Energética Nacional, em 2017, e da criação do CBio (crédito de descarbonização), em 2019, houve uma corrida das indústrias do setor para melhoria de seus processos produtivos.Dentro do contexto global de preocupação com a urgência de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, esta política foi decisiva para que investimentos fossem feitos não apenas para a produção de etanol, mas também em relação ao aproveitamento dos resíduos da cana, como o bagaço, para gerar bioeletricidade, e da vinhaça, que se transforma em biometano, utilizado na rede de distribuição de gás natural."

Hoje, o Interior de São Paulo produz, a partir do bagaço da cana, energia equivalente à gerada por Itaipu, que é a segunda maior hidrelétrica do mundo e a maior do Brasil. Não fosse isso, o Brasil já estaria sofrendo com apagão elétrico", comenta o deputado federal Arnaldo Jardim, coordenador da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético.

Segundo ele, são as próprias usinas de cana-de-açúcar que processam estes resíduos, sendo as de Bauru e Ribeirão Preto as mais dinâmicas na produção do biogás oriundo da vinhaça.Também por meio do RenovaBio, foi instituído o CBio, que possibilita às usinas emitirem créditos de descarbonização, que são vendidos na Bolsa de Valores.

"Há um sistema de cálculo, que classifica as empresas mais eficientes, mais adequadas ambientalmente, que receberão um número de créditos, de acordo com sua produção. Outras, com a mesma produção, mas com menor eficiência, receberão menos. Ou seja, o sistema induz comportamentos", comenta.

Conforme destaca Margarida Kalemkarian, o CBio é uma fonte importante de receita para as empresas, sendo que as distribuidoras, que consomem e vendem combustíveis fosseis, são obrigadas a comprá-lo.

Com estes avanços em curso, a expectativa é de que o setor sucroenergético paulista, que responde por 35% do PIB agrícola do Estado, tenha, no futuro, grande protagonismo no trabalho de descarbonização do planeta.

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