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Inflação passou de 10% em 2021 por culpa da pandemia, diz o BC

Presidente do Banco Central, Campos Neto diz em carta a Guedes que inflação de 2 dígitos é culpa de fenômeno global

por FolhaPress

12/01/2022 - 05h00

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Roberto Campos Neto cumpre a praxe de explicar em carta aberta os motivos de meta não ter sido atingida

Brasília - Em carta aberta divulgada nesta terça-feira (11), o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, atribuiu o estouro da meta de inflação em 2021, que acumulou alta de 10,06%, aos sucessivos choques de custos e enfatizou que se trata de movimento observado também em outros países.

"De fato, a aceleração significativa da inflação em 2021 para níveis superiores às metas foi um fenômeno global, atingindo a maioria dos países avançados e emergentes", disse o texto, endereçado ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

ESCASSEZ HÍDRICA

Na decomposição do índice de 2021, segundo o BC, a chamada "inflação importada" foi a que mais contribuiu para que o indicador ficasse fora da meta, com peso de 4,38 pontos percentuais. A bandeira de escassez hídrica, encareceu a conta de luz do brasileiro, representou 0,67 ponto. "O principal fator para o desvio de 6,31 p.p. da inflação em relação à meta adveio da inflação importada, com contribuição de 4,38 p.p., cerca de 69% do desvio. Abrindo esse termo, destacam-se as contribuições de 2,95 p.p. do preço do petróleo, 0,71 p.p. das commodities em geral e 0,44 p.p. da taxa de câmbio", destacou a carta.

OS NÚMEROS

A inflação do período, que foi divulgada na manhã de ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), fechou em dois dígitos e ficou bem acima da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O indicador poderia chegar até o máximo de 5,25%.

A alta é a maior para o período de janeiro a dezembro desde 2015, quando os preços aceleraram 10,67%. À época, a economia nacional atravessava período de recessão no governo Dilma Rousseff (PT).

Sempre que a inflação termina o ano fora do intervalo determinado, o presidente do BC precisa justificar os motivos em carta aberta. Esta é a sexta desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999.

HISTÓRICO

A carta anterior foi escrita pelo antecessor de Campos Neto, Ilan Goldfajn, em janeiro de 2018. O texto era relativo à inflação de 2017, mas, na ocasião, o então presidente do BC se justificava por resultado ligeiramente inferior ao limite mínimo estabelecido.

As outras foram escritas em 2015, 2003, 2002 e 2001, todas em razão de ter excedido o limite superior da meta de inflação.

Com Covid-19

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, testou positivo para Covid-19. A informação foi confirmada em comunicado emitido pelo BC na manhã deste sábado (08).  Campos Neto está assintomático e tem cumprido quarentena em casa, mantendo as atividades em trabalho remoto.

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