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Economia & Negócios

Selic tem a 12ª alta seguida

Banco Central sobe taxa básica dos juros da economia a 13,75% ao ano; percentual que chega ao maior nível desde 2017

por FolhaPress

04/08/2022 - 05h00

Reprodução

Nem mesmo retomada do mercado de trabalho conteve riscos

São Paulo - O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu nesta quarta-feira (3), por unanimidade, subir a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,5 ponto percentual. Com isso, o índice foi de 13,25% para 13,75% ao ano — o maior patamar desde o reajuste estabelecido de dezembro de 2016 até 11 de janeiro de 2017, quando a taxa também estava em 13,75%. A última vez em que a Selic teve um valor mais alto do que esse foi no ciclo de 19 de outubro de 2016 até 30 de novembro de 2016, quando o índice foi a 14% ao ano.

SEM SURPRESA

A elevação já era esperada por economistas. Essa é a 12ª alta consecutiva neste ciclo de aperto monetário, que já é o mais longo da história do Copom. O movimento começou em março de 2021, quando a taxa foi de 2% para 2,75% ao ano. Desde então, o índice já subiu 11,75 pontos percentuais, no maior choque de juros desde 1999: na época, o BC elevou a Selic em 20 pontos percentuais de uma só vez para tentar aliviar a crise cambial.

Nas justificativas, o Copom citou o ambiente externo "adverso e volátil, com maiores revisões negativas para o crescimento global em um ambiente inflacionário ainda pressionado".

O grupo afirmou que, no Brasil, houve "a retomada no mercado de trabalho mais forte do que era esperada pelo Comitê". Apesar de um certo otimismo no âmbito nacional, o Copom ressaltou que "permanecem fatores de risco em ambas as direções" em seus cenários para a inflação.

Até maio, os comunicados do BC indicavam que a autoridade monetária pretendia encerrar o ciclo de elevações em junho. No entanto, altas no exterior além do previsto, como do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu adicionaram pressão sobre os juros brasileiros.

Para 2022, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Vem mais alta por aí...

Em junho, o BC indicou que mirava uma inflação mais próxima do centro da meta o que a projeção de 4%. Isso leva uma corrente crescente de economistas a crer que a autoridade monetária não deve ser capaz - mais uma vez - de encerrar o ciclo de alta dos juros, já que as expectativas para o IPCA do ano que vem não param de se afastar do teto da meta (4,75%), com 5,33% no Boletim Focus.

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