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Série A-2: guerra declarada

Presidente e vice entram em ?rota de colisão? e trocam acusações; Buzalaf quer reunir Conselho Deliberativo e ataca: ?É para por eles (os irmãos Rino) no lugar deles?

por Thiago Navarro

28/03/2013 - 02h40

Fotos: Neide Carlos/14-02-2013

O presidente noroestino Anis Buzalaf Júnior não

poupou críticas ao vice: “Ele gosta de aparecer”

Na Semana Santa, tudo que se espera é paz, tranquilidade e reflexão. Mas no Noroeste, que vive a semana mais importante da temporada, brigando para escapar do rebaixamento para a Série A-3, o clima está pesado e a situação é bastante desconfortável nos bastidores do Estádio Alfredo de Castilho. Tanto que o relacionamento entre o presidente e o vice-presidente do clube, que já não era dos melhores nos últimos tempos, agora “azedou” de vez. Ambos travaram ontem verdadeira “guerra” de acusações, que prometem vários desdobramentos nos próximos dias, e evidenciaram o “racha” no comando noroestino.

Na terça-feira à tarde, veio à tona uma possibilidade de parceria do clube com a empresária italiana Edda Silvestro, que estava sendo articulada pelo presidente Anis Buzalaf Jr. e pelo ex-funcionário Edmar Donizete, o Thilná, segundo apurou o JC. A notícia foi mal recebida pelo vice-presidente Filipe Rino, mas o clima entre ele e Buzalaf parecia mais ameno na própria terça-feira à noite, após uma reunião entre ambos, que culminou com o clube desistindo de qualquer negociação com Edda. Porém, ontem, a situação ganhou novos contornos e o “racha” se instaurou.

À noite, o JC manteve contato com Buzalaf, que disparou contra seu vice. “Ele gosta de aparecer. A Edda (Silvestro) estava trazendo um patrocínio para nós da Marabrás, de R$ 40 mil por mês, eles dariam metade em dinheiro e metade em equipamentos, para o alojamento. Ele foi levantar a ficha dela, fez o maior escândalo e agora cancelaram o que trariam para nós”, disse o presidente.

“Presidente deveria estar mais preocupado em colocar

os salários dos jogadores em dia”, rebateu Filipe Rino

“Já atrapalhou tudo. Na terça-feira passada, eu não estava conversando com eles, estava falando com o pessoal da Casas Paraná, que é uma empresa sólida. Quando tiver alguma parceria, primeiro tem que passar pelo Conselho Deliberativo, mas eu não dependo de aprovação nenhuma dele (Filipe) nem do irmão dele (Thiago Rino, diretor jurídico do clube) para aprovar nada. Se eu dependo de alguém, é do Conselho Deliberativo”, reforça Buzalaf. “Antes de sair falando com a imprensa, o Filipe tinha que ter falado comigo. Tanto que quando ele falou comigo, nós recuamos”, relata.

Vai reunir Conselho

Buzalaf confirmou que pretende marcar uma reunião do Conselho Deliberativo na semana que vem, entre segunda e terça-feira. “É para por eles (Filipe e Thiago) no lugar deles”, afirma. “Ele (Filipe) é vice-presidente, ele não é gerente de futebol, assessor de imprensa, roupeiro, marqueteiro, nem nada disso. Ele que haja como vice-presidente”, diz Buzalaf. “Ainda não sei que providências iremos tomar, porque a coisa está sem controle. O resultado disso tudo foi que perdemos um patrocínio que poderia acontecer, mas que não vai acontecer”, menciona o presidente noroestino. “Não vamos entregar o Noroeste nas mãos de pessoas que não sejam sérias”, finaliza. O presidente não esteve ontem na sede do clube.

“Tenho muito a expor”, diz vice-presidente

“Eu não sei exatamente o que o Buzalaf quer, não sei qual atitude pode ser tomada. Eu fui contra uma negociação com uma pessoa com processo criminal”, disse o vice-presidente Filipe Rino, que ficou bastante chateado – e chegou até a chorar – no final da tarde de ontem, ao saber que Buzalaf pretende acionar o Conselho Deliberativo. “Quem sou eu para atrapalhar uma negociação do Thilná, que ele disse que era sigilosa na rádio (Thilná concedeu uma entrevista ontem à noite na 87 FM)”, pontua.

Caso ocorra uma reunião, Rino pretende participar. “Tenho muito a expor e pretendo participar de uma eventual reunião. No clube, todos sabem que eu ajudei com muitas coisas, inclusive a trazer recursos”, comenta o vice noroestino. “Adoraria que houvesse mesmo uma reunião para esclarecer os fatos. O presidente deveria estar mais preocupado em colocar os salários dos jogadores em dia. Aliás, ele foi eleito em dezembro prometendo colocar R$ 40 mil por mês no clube, e até hoje não colocou um centavo, o balanço que publicamos deixa isso claro”, conclui.


Carta aberta

Na manhã de ontem, Edda Silvestro encaminhou uma carta ao clube dizendo que se sentia ofendida pelas matérias publicadas ontem e lamentando ter que encaminhar a missiva ao presidente Buzalaf. Nela, a empresária relata que a proposta tinha como um dos objetivos ajudar o Noroeste a ingressar no processo de internacionalização do futebol. Pouco depois, o vice Filipe Rino encaminhou uma carta aberta à imprensa, lembrando que a Resolução Número 1 da atual gestão exige que todos os contratos sejam assinados por Buzalaf, por Filipe Rino e pelo diretor jurídico Thiago Rino. Ele relata ainda que os contratos, antes de serem apreciados pelo Conselho Deliberativo, devem passar pela Diretoria Executiva.


Presidente do Conselho

O presidente do Conselho Deliberativo do Noroeste, José Antônio Rodrigues, o Toninho da Alto Astral, encontra-se no litoral paulista, onde permanece até terça-feira – o que já inviabiliza uma convocação dentro do prazo pretendido por Buzalaf. “Não falei com ele (Buzalaf) nesses últimos dias, estou fora da cidade, e não sei qual tipo de assunto ele gostaria de tratar em uma reunião do Conselho”, disse Toninho por telefone ao JC. Ele acrescentou ainda, que para convocar uma eventual reunião, vai seguir os trâmites exigidos pelo Estatuto do Esporte Clube Noroeste, o que exige um prazo.